Acidentes aéreos são raros, ainda mais com aeronaves modernas. Em menos de dois anos após seu lançamento, a versão mais nova do 737, avião icônico da Boeing, já caiu duas vezes – ambas após a decolagem

O acidente da Ethiopian Airlines que matou todas as 157 pessoas a bordo no último domingo (10/03) foi o segundo desastre envolvendo um Boeing 737 MAX 8 nos últimos seis meses. Em outubro, um voo da companhia aérea indonésia Lion Air caiu pouco depois de decolar de Jacarta, matando todos os 189 ocupantes.

Os dois acidentes levantaram preocupações sobre a série MAX, que a Boeing lançou há menos de dois anos. Nesta segunda-feira (11/03), a autoridade de aviação da China ordenou todas as companhias aéreas chinesas que suspendessem o uso de suas aeronaves 737 MAX.

Versão mais nova do 737, avião icônico da Boeing, já caiu duas vezes – ambas após a decolagem

“Levando em consideração que os dois acidentes envolveram aviões Boeing 737 MAX 8 recém-entregues e ocorreram durante a fase de decolagem, presumimos que eles têm algum grau de similaridade”, disse a autoridade chinesa.

A autoridade chinesa comunicou também que informará as companhias aéreas sobre o fim da suspensão após contatar a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e os representantes da Boeing. As companhias aéreas da China operam quase 100 aeronaves 737 MAX 8.

A Ethiopian Airlines também suspendeu o uso de seus quatro aviões 737 MAX 8 restantes – outras 25 unidades ainda não foram entregues. Paralelamente, a Cayman Airways também anunciou que deixará temporariamente em solo seus dois aviões do mesmo modelo.

A série MAX, a versão do Boeing 737

A série MAX é a versão mais recente do bimotor de corredor único da Boeing. O modelo lançado em 2017 é mais eficiente em termos de combustível em comparação com seus antecessores e há quatro variantes: MAX 7, MAX 8, MAX 9 e MAX 10, que podem transportar entre 138 e 204 passageiros e foram projetadas para voos de curta e média distância.

As versões anteriores do Boeing 737 são consideradas uma das aeronaves comerciais mais confiáveis da história da aviação.

Quais companhias aéreas compraram unidades MAX?

A Boeing já finalizou a entrega de cerca de 350 unidades da série MAX – a primeira feita em maio de 2017 à Malindo Air, com sede na Malásia. Até o momento, mais de 60 companhias aéreas encomendaram cerca de cinco mil aeronaves da série MAX. Os principais clientes europeus incluem as companhias aéreas de baixo custo Ryanair e Norwegian.

No Brasil, a versão atualizada do avião comercial mais vendido da história foi a aposta da Gol para a sua planejada expansão internacional – a companhia encomendou 135 unidades dos modelos MAX 8 e MAX 10. A meta da Gol é concluir até 2028 a renovação de sua frota dos atuais modelos Boeing 737, fabricados nas décadas de 1990 e 2000. 

A Gol é a única companhia aérea brasileira com modelos novos da série MAX em sua frota. Atualmente sete aeronaves estão em operação – nas rotas de Brasília e Fortaleza para Miami e Orlando, além de São Paulo a Quito.

O que aconteceu com o voo 302 da Ethiopian Airlines?

A Ethiopian Airlines comunicou que ainda precisa investigar a causa do acidente. De acordo com companhia aérea etíope, o 737 MAX 8 decolou com perfeitas condições climáticas às 8:38 da manhã (horário local). Seis minutos depois, caiu num campo cerca de 50 quilômetros ao sul da Addis Abeba.

Pouco antes do acidente, o piloto relatou dificuldades ao controle de tráfego aéreo e recebeu autorização para retornar ao Aeroporto Internacional de Bole. Uma testemunha disse à agência de notícias AFP que a aeronave estava em chamas antes de atingir o solo.

A Ethiopian Airlines comunicou que a aeronave voou de Johanesburgo, na África do Sul, no domingo, sem nenhum incidente. Desde sua entrega, em novembro, a aeronave acidentada havia somado cerca de 1.200 horas de voo.

O que houve com o voo 610 da Lion Air?

A aeronave 737 MAX 8 da Lion Air caiu no Mar de Java cerca de 12 minutos depois de decolar de Jacarta, em 29 de outubro de 2018. Autoridades relataram que o piloto pediu para retornar ao aeroporto apenas três minutos após levantar voo.

O serviço de rastreamento Flightradar24 divulgou que a velocidade e a altitude do avião estavam erradas durante a subida. Investigadores ainda não emitiram um relatório final, mas notaram que a aeronave sofreu com problemas em seus indicadores de velocidade nos dias que antecederam o acidente.

No penúltimo voo do avião, um piloto emitiu o segundo mais elevado aviso devido a problemas com o sistema antiestol. Essas informações convenceram os investigadores indonésios de que o avião “não era navegável”. A Lion Air havia recebido a aeronave em agosto – até a queda, o modelo havia completado apenas 800 horas de voo.

O MAX teve problemas antes do acidente da Lion Air?

A Boeing suspendeu brevemente os voo de testes de todas as aeronaves MAX em maio de 2017, após identificar um possível problema com os motores. A empresa relatou que resolveu a questão dez dias depois.

Qual foi a resposta da Boeing?

A empresa americana coopera com autoridades indonésias que investigam o acidente da Lion Air e prometeu enviar uma equipe à Etiópia para ajudar na investigação do acidente de domingo.

Após a queda do voo 610 da Lion Air, a Boeing enviou um alerta às companhias aéreas de que o 737 MAX poderia apontar seu nariz automaticamente para baixo em reação a dados erráticos vindos de sensores. A Boeing afirmou que os pilotos podem contornar o problema ao desligar temporariamente o sistema responsável pela reação.

Pilotos das companhias aéreas americanas Southwest e American Airlines reclamaram que não foram completamente informados sobre o sistema. Mas a Boeing comunicou que deu detalhes operacionais completos para todas as companhias aéreas.

Deutsche Welle –PV/ap/rtr/ots