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Adolescente assediada em ônibus encontra vídeo do abuso em site pornô e denuncia crime

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Adolescente sofreu caso de assédio que foi filmado e postado em site de pornografia. Ela soube do vídeo depois que um amigo encontrou a imagem. Polícia Civil de São José dos Campos investiga crime

Uma adolescente de 17 anos foi assediada em um ônibus e denunciou o crime após encontrar as imagens do abuso em um site pornô. A adolescente, que mora em São José dos Campos, relatou o crime em suas redes sociais e viralizou. Ela também registrou queixa na Polícia Civil, que investiga o caso.

O post feito por Jai Silva, como ela se identifica no Twitter, tinha mais de 39 mil compartilhamentos até a tarde desta terça-feira. Na postagem, ela expõe o caso de assédio que sofreu e pede ajuda para que internautas denunciassem a página em que o vídeo foi postado, para que fosse tirado do ar.

A adolescente conta que o episódio aconteceu no dia 30 de novembro de 2019, quando pegava a linha 308 por volta das 13h. Jai afirma que o ônibus estava vazio, mas o homem se manteve em pé ao lado dela.

“Ele ficou do meu lado e percebi que ele aproximava a parte íntima, como que mostrando que estava excitado. Eu me senti incomodada e, quanto mais ele percebia, mais se aproximava. Só parou quando ameacei pegar meu celular para filmar”, conta a jovem, que pediu para não ter o nome revelado.

Depois que o homem deixou o coletivo, a adolescente conta que pensou em denunciar, mas sem o contato físico, apenas o constrangimento, ficou com receio de que não fosse levada a sério.

Nesta terça-feira (28), quando estava no ônibus que faz a mesma linha recebeu uma mensagem de um ex-colega dizendo que havia visto ela em uma imagem em um site de conteúdo pornográfico. Ao abrir o link, percebeu que as imagens foram feitas no dia do assédio.

Sem saber o que fazer para que a imagem fosse deletada, relatou o assédio sofrido na rede social e pediu que amigos ajudassem a denunciar a plataforma e o perfil do assediador, que usava um codinome.

O post viralizou e o vídeo acabou deletado da plataforma, mas ainda estava postado em outras páginas.

“O vídeo não tem nada que comprometa a minha moral. Mas é constrangedor ver a nossa imagem em uma página pornográfica e sem a nossa autorização. Eu sei que sou a vítima, mas o que as pessoas podem pensar quando virem aquilo? Eu estou com vergonha de voltar para a aula, de sair na rua”, comentou.

Jai esteve nesta manhã com o pai na Delegacia de Defesa da Mulher em São José dos Campos. O caso foi registrado como crime contra a dignidade sexual.

A Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública informaram que nesta terça-feira (28) foram feitos dois boletins de ocorrência após mulheres denunciarem o caso. Serão instaurados inquéritos para a apuração dos crimes.

Assédio em ônibus

Além da adolescente, o assediador fez outras vítimas em São José dos Campos. Em buscas pela internet como codinome usado por ele, é possível encontrar imagens de outras mulheres.

Nas gravações, ele chama o ato de ‘experimento social’, gravando as reações das mulheres ao assédio dentro dos ônibus. Após a divulgação do primeiro caso, outras mulheres relataram terem sido expostas pelo autor na internet.

A Mara Dalila, 32 anos, foi vista nas imagens por um familiar (veja postagem abaixo) que viu a repercussão do post e depois encaminhou o vídeo para ela. Ao ver sua imagem em sites pornográficos conta que a reação foi de choque. A vítima conta que a imagem foi feita no dia 17 de novembro de 2017, na linha 317.

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Posted by Mel Dalila on Tuesday, January 28, 2020

“Eu estava voltando do trabalho quando ele me filmou, por volta das 23h. Cansada, eu não percebi o que estava acontecendo. Estou envergonhada de ver a minha imagem nessa situação”.

Apesar de relatar o caso nas redes sociais, Mara ainda não havia conseguido fazer boletim de ocorrência sobre o episódio até o fim da tarde desta terça-feira.

G1 acionou o Consórcio 123, responsável pelas empresas de ônibus que operam na cidade, que informou que apura o caso. O consórcio informou que, com base na data da denúncia da vítima, analisa imagens das câmeras de segurança interna dos coletivos para identificar o responsável pelas filmagens e encaminhar à polícia.

O grupo afirmou ainda que as vítimas de assédio devem procurar as equipes para denuncia e possível identificação do suspeito.

Crime

A divulgação de imagens sem consentimento da pessoa exposta é crime. De acordo com o advogado especialista em crime digital, Danilo Pardi, quem filma e reposta pode responder criminalmente.

O advogado esclarece que há formas de encontrar o autor com base nos dados de identificação da imagem. Todo vídeo mantém oculto o registro do aparelho usado para a gravação, que pode levar ao autor.

“Com base no vídeo postado, a perícia encontra a identificação que traz a localização de onde a imagem foi feita e dados do aparelho. Se foi feita de um celular, por exemplo, ela traz o registro IMEI, que leva ao autor”, explica.

Sobre a interrupção da circulação das imagens na internet, Pardi diz que é possível a própria vítima solicitar às plataformas, com notificação extrajudicial. A vítima pode redigir, incluir o registro do vídeo, explicar que não autorizou e que deseja que seja apagado.

Apesar da opção menos burocrática, o advogado esclarece que o meio não é o mais eficaz. Isso porque algumas plataformas com conteúdo pornográfico oferecem conteúdo de livre compartilhamento, podendo ser usado em outros sites.

“Com a ação judicial podemos incluir a citação de todas as empresas de uma única vez, além de pedir ao Google que elimine de seus mecanismos de busca o nome do vídeo e que use as ferramentas de reconhecimento facial para que, com base na imagem que a vítima tem, delete todas as outras disponíveis na internet”. Via G1

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Jornalista, editor de Painel Político, consultoria e assessoria.

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