Ana Lídia é Roraima! – Professor Nazareno*

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Não há como discordar. Maríndia Lídia Daibes é uma jornalista competente e arrojada

O mundo pode se acabar hoje. Não estou mais preocupado com nada. Aceito de coração o que vier de agora por diante: Roraima finalmente apareceu em destaque no Jornal Nacional da Rede Globo. E em grande estilo. Por isso, estou muito feliz e radiante.

A jornalista Ana Lídia Moura apresentou o maior noticiário do Brasil ao lado de um dos maiores ícones do jornalismo nacional: um rapaz lá do Espírito Santo. Em Porto Velho, capital de Roraima, e em todos os recantos do Estado não se falava em outra coisa neste sábado, 21 de setembro. “O nosso Estado é destaque nacional” gritavam eufóricos os habitantes como que comemorando uma conquista de Copa do Mundo da seleção nacional de futebol. “Vocês viram a competência da consagrada jornalista?”. “Vocês viram como ela se saiu bem?”, falavam todos muito emocionados.

Não há como discordar. Maríndia Lídia Daibes é uma jornalista competente e arrojada. Deu conta do seu recado na bancada do principal jornal televisivo do país e de quebra patrocinou um show à parte com sua aveludada e linda voz. Mostrou caráter, bom profissionalismo, leitura de mundo e muito conhecimento naquilo que faz. Se a partir de hoje, a brilhante jornalista roraimense fosse escalada para apresentar o Jornal Nacional diariamente, ninguém sentiria falta de mais ninguém naquela “bancada de ouro”. Com toda a certeza, Lídia Moura é um exemplo para as novas gerações que se aventurarem nos caminhos da notícia e do jornalismo. Além do mais, a TV Rondônia, afiliada da Rede Globo, é uma emissora de televisão de alto estilo. Já deveria ter ganhado várias comendas na área do jornalismo. Prêmios Pulitzer e Esso, por exemplo.

Maríndia, no entanto, se superou no final do JN: convidou todos os brasileiros a conhecer Roraima. Falou sobre as belezas naturais do Estado, mas se esqueceu de dizer que aos poucos tudo está sendo destruído pela ganância dos mesmos brasileiros que ela convidou. O rio Madeira, por exemplo, foi estuprado por hidrelétricas em seu leito e hoje não é nem a sombra do que fora anos atrás.

Em suas águas já não existem mais as madeiras boiando que lhe deram o nome e o preço da energia elétrica que se paga por aqui é o “olho da cara”. Ou seja, doamos a nossa preciosa natureza para os outros em troca de nada. Outra beleza natural, a floresta amazônica, está sendo minuciosamente destruída ano após ano para dar lugar às pastagens. Rondônia é uma potência agropecuária, mas à custa das queimadas e da triste devastação ambiental sem controle.

A competente e bonita jornalista orgulhou a todos nós nascidos aqui, é verdade. Mas ainda acho que ela deveria ter falado para todos os brasileiros sobre a existência de um determinado “açougue” na zona sul da capital e que as autoridades de Roraima preferem fazer suntuosos “palácios de mármore” a construir um hospital decente para os pobres. Ela poderia também ter comentado sobre a sujeira, a carniça, o lixo e a fedentina das ruas da castigada cidade bem como da falta de água tratada e de saneamento básico para os porto-velhenses.

Falar sobre a roubalheira e os escândalos na política local nem precisava, pois ninguém lhe teria prestado muita atenção, já que isto é uma mania nacional a que todos já se acostumaram tranquilamente. Além das rotineiras queimadas, de muita fumaça no verão, da falta de cultura, de uma ponte escura e da carne produzida à custa da natureza, Roraima tem talentos de sobra para encantar o país.

*É Professor em Porto Velho.

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