Após 6 anos, motorista que matou 3 da mesma família é julgado em Curitiba

Read Time3 Minutes, 53 Seconds

A tragédia para a família Empinoti aconteceu no cruzamento da Av. Silva Jardim com a Rua Alferes Poli

Quase seis anos após o acidente de trânsito que matou três pessoas de uma mesma família, Eduardo Vitor Garzuze, acusado de ser o responsável pela colisão, começa a ser julgado nesta terça-feira (6), no Tribunal do Júri, em Curitiba. Na época com 24 anos, o motorista é réu pelo crime de triplo homicídio doloso, com dolo eventual, que é quando se assume o risco de matar. Ele também responde por lesão corporal grave.

tragédia para a família Empinoti aconteceu no cruzamento da Av. Silva Jardim com a Rua Alferes Poli, na região central de Curitiba. Morreram no acidente Lorena Camargo, de 47 anos, o neto dela, Igor Empinoti, de 9, e a filha, Gabriele Empinoti, de 23, que era tia da criança. Sobreviveu no Corsa  marido de Gabriele, Jacskon Adriano Ferreira, além de Eduardo.

Laudos mostram que Eduardo Garzuze estava acima do limite de velocidade. No hospital, ele foi submetido a um exame que indicou a presença de 5,4 decigramas de álcool por litro de sangue, mas segundo o advogado do réu,  Luiz Claudio Falarz, o teste foi desqualificado no processo porque foi feito sem o consentimento de Eduardo. “Ele não estava embriagado, não admite isso de forma alguma”, afirmou.

A defesa pede que o caso seja enquadrado como homicídio culposo, sem a intenção de matar. “Infelizmente a vitima cruzou o sinal vermelho, a perícia disse isso. O acusado não imaginava que isso poderia acontecer, mesmo com o excesso de velocidade em que estava. Foi uma imprudência no trânsito, com todo o respeito à família das vítimas. Queremos a desqualificação do triplo homicídio. Ele não saiu de casa para matar alguém, foi uma mera fatalidade”, completou o advogado de defesa.

O assistente de acusação, Bruno Pereira, diz que a promotoria vai insistir no triplo homicídio. “Este rapaz já havia se evadido de outro acidente no Batel, momentos antes, e estava com uma velocidade excessiva. A acusação espera uma condenação contundente em relação ao crime de trânsito em Curitiba”, afirmou.

Pereira não quis comentar sobre a informação de que Gabriele teria avançado o sinal vermelho. “Alguns peritos serão ouvidos sobre isso e o Conselho de Sentença irá analisar os fatos”.

O conselho de sentença é formado por quatro homens e três mulheres. O júri começou por volta das 9h30 e não tem previsão de término.

A tragédia

A madrugada do dia 22 de setembro de 2013 seria um novo começo para Anelize. Recém-formada, comemorava no baile de formatura a conquista com a família e dedicava esta conquista para a mãe. “Ela estava muito feliz naquela noite, pois nós duas estávamos formadas”, relembra Anelize, irmã de Gabriele.

No fim da festa, o filho de nove anos de Anelize, Igor Empinotti, pediu à ela para dormir na casa da vó. “Eu já tinha negado algumas vezes, mas ele insistiu e eu acabei cedendo. Ele se despediu de mim dizendo que eu era a melhor mãe do mundo”, conta, emocionada.

Na imagem, assista no canto esquerdo o momento do acidente. O Ka vinha em alta velocidade pela Av. Silva Jardim, enquanto o Corsa em velocidade mais baixa pela Alferes Poli

Chegando lá, o casal descobriu que o carro em que estavam Gabriele, o noivo dela, Jackson, a mãe de Anelize e o filho Igor havia batido contra um veículo, no cruzamento da Avenida Silva Jardim com a rua Alferes Poli. Um motorista embriagado, em alta velocidade, que fugia de outro acidente causado por ele, atingiu a lateral do carro da família.

O motorista responsável pela tragédia, Eduardo Garzuze,  também teve sérias lesões e perdeu parte do nariz. No hospital, foi autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.

Eduardo Vítor Garzuze, responsável pela morte de Lorena, Gabriele e Igor, responde o processo em liberdade desde então. Em outubro de 2015, os advogados de Garzuze tentaram levar o caso para o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, sem sucesso. No mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Paraná decidiu levar o caso a júri popular, após negar inúmeros recursos da defesa. O julgamento acontece nesta terça-feira.

Da Rádio BandaB

0 0
0 %
Happy
0 %
Sad
0 %
Excited
0 %
Angry
0 %
Surprise
Close