Nos anos 1980, Robby Rosa enlouqueceu a juventude brasileira como líder da boy band Menudo, capaz de lotar estádios como o Morumbi. Em 1988, arrebatou mais corações ao atuar em “Salsa – o filme quente”, fazendo par romântico com Angela Alvarado, com quem depois se casou. Como cantor solo, gravou discos em inglês, espanhol e (até) em português, deixou o pop e enveredou pelo rock. Hoje, o cinquentão (completados no último dia 27) mudou o nome artístico para Draco Rosa, conquistou Grammys como compositor e produtor, superou o câncer duas vezes e ainda se recupera de uma separação. De volta ao Brasil para lançar e promover seu mais recente disco “Monte Sagrado” (só de inéditas) o americano conversou com O GLOBO sobre seus 35 anos de carreira, relembrou os tempos de Menudo e anunciou novos projetos.

‘Monte Sagrado’ surge após oito anos sem um álbum de novas canções, em um momento de renascimento profissional e pessoal. O que isso representa para você?

 Esse disco é uma celebração da vida, em todos os sentidos. É diferente de tudo que já fiz, nele usei muito mais a minha intuição do que o meu intelecto. Surgiu de uma forma muito natural em meio a todo o caos que eu vivi. Lá fora, foi lançado em outubro de 2017 e esteve em primeiro lugar por duas semanas. São todas composições autorais, em espanhol, gravadas no meu estúdio em Porto Rico, com exceção de uma, “The thing I’ve done”, que é uma versão de uma música australiana.

Por que cita o single “2Nite 2 Nite” como sendo o grande representante de seu momento atual? 

Ele significa o meu despertar, o momento em que me sinto mais leve, mais aliviado. É hora de comemoração e também de muito agradecimento. Essa música nasceu a partir de um improviso, foi a primeira que gravei e que acabou dando vida ao “Monte Sagrado”. Tive doenças sérias, duas vezes e parei tudo para me dedicar à minha cura, o que me fez repensar a vida e rememorar muitas coisas. Foi justamente esse “olhar pra trás” que ajudou a criar o disco e culminou com a gravação de “Monte”

Você voltou ao passado inclusive na forma como o gravou, certo? 

Sim, eu quis que fosse assim. Ele é bem básico. Foi gravado todo ao vivo, bem analógico, e isso lhe emprestou um suingue e uma energia bem clássicos, do jeito que eu queria. Os músicos que me acompanham também são incríveis. 

Além dos percalços normais durante uma gravação de álbum, vocês tiveram que enfrentar o furacão Maria? Como foi a experiência? 

No Caribe é assim, estamos sempre propensos a essas forças da natureza, mas não acredito que tenha sido um sinal, não. Foi devastador, tivemos que interromper por uns meses, e tive que terminar a pós-produção na Califórnia. 

Nesse retorno ao passado, não tem como não lembrar do Menudo, né? 

O Menudo foi muito importante na minha vida, uma escola para mim. Tenho ótimas lembranças daquele tempo. A imagem do Morumbi lotado, por exemplo, nunca saiu da minha cabeça. Foi uma emoção enorme. Foi ali que tudo começou. O grupo me disciplinou como artista. Sair dele e seguir carreira solo foi triste e bastante arriscado, mas me ensinou muito também. Eu queria compor, mas na época não me levavam a sério. Queria ir além, produzir e fui atrás disso. 

E a relação com os outros integrantes ainda existe? 

Sempre nos demos bem e isso acontece até hoje. Acabei me aproximando mais do Ricky (Martin), porque outros deixaram essa vida e seguiram outras profissões. Para ele, escrevi “Maria” que foi um sucesso mundial e também “La copa de la vida” escolhida como canção-tema da Copa do Mundo de 1998.

Quais seus planos para o futuro? 

A palavra de ordem para mim, agora, é desfrutar. De todo e de cada momento. Tenho coisas novas escritas e já comecei a gravar algumas. Gostaria também de voltar a atuar, desde que isso estivesse relacionado de alguma forma com a música. Vamos ver se me convidam para alguma coisa. Por isso estou aqui (risos).

Extra.com

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