As memórias de um espermatozoide careca – Por Geovani Berno

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Quando convidei Suely Rodrigues para dirigir uma peça de teatro que deseja montar, estava vivendo um momento muito triste em minha vida e precisava de algo para ressignificar minha existência. Estava há quatro anos sem fazer teatro e vivia um princípio de depressão devido a uma separação bem traumática e que me jogou na lona. Sim, artista humorista também passa por estas coisas. Somos gente e temos (e muita) emoção.

Bem, essa conversa com a Suely foi em 1998 (somos velhinhos já) mas que foi se concretizar somente em 2000, quando a deprê e a solidão bateram à porta e eu não deixei entrar, preferindo gastar toda a minha energia em não olhar para trás e remoer tudo o que perdi, mas sim mirar o horizonte e investir tudo o que não tinha na realização de um sonho.

E foi assim que em 1 de novembro de 2000 nasceu “Confidências de um espermatozoide careca”, um monólogo, que em princípio poderia ser chato para o público, mas com a intervenção da direção em colocar um outro ator deu dinamicidade ao trabalho.

Não vou dizer que foi fácil porque não foi. Foram seis meses de árduo trabalho, ensaios e, posteriormente, de uma corrida por apoios e patrocínios. Lembro de cada um em quem ainda sou grato, como a Uniron (Fernando e Basílio), Unimed à época comandada pela Drª Ida Perea e pelo Luis Fernando (hoje secretário de Estado); ao supermercado Gonçalves (Sergio), Junior Sun; mas tem um patrocinador que não queria nem que colocasse o nome dele no panfleto, mas achei injusto, pois graças a ele consegui montar o cenário e confeccionar todo o figurino. Refiro-me ao Luismar do grupo Milla.

Na época tivemos um parceirão que jamais vou esquecer que foi o nosso querido Sesc e o amigo Tico Marinheiro e Julio Yriarte. Isso sem falar na imprensa local que sempre divulgou, sem restrições, nosso trabalho, abrindo portas para entrevistas, divulgação de releases e agendas e entrevistas em programas nobres.

Durante todo este tempo de idas e vindas muita gente passou e assistiu ao espetáculo. Não só Porto Velho, mas o festival de teatro em Rio Branco, Ji-Paraná e Cacoal com o apoio na época da Brasiltelecom (hoje Oi) que foi fundamental neste processo. Cacoal ficará sempre na memória com as três apresentações em uma única noite, sendo que a última iniciou as 23h30 me deixando esgotado, mas feliz por tamanha receptividade.

Só poderia concluir este pequeno artigo com mais agradecimentos. A Deus, a Suely por ser minha irmãzona e aos “espermatozoides” que me acompanharam nestas jornadas pela vida, iniciando com o Ery Oliveira, Odinaldo Silva, Juraci Junior e Jailton Viana.

E também a todos os integrantes do grupo Raízes do Porto que não mediam esforços para auxiliar nas montagens e dar suporte para que as apresentações ocorressem. Arlete, seu Osias, Kenny, Zaine, Alexandre, Felipe, João… a lista é grande. A vocês o meu mais profundo sentimento de gratidão. A apresentação desta quarta-feira (3) de abril ficará marcada não como mais uma, mas como “a apresentação”, o retorno, a retomada. Saibam que tudo o que está aqui escrito passou como um filme ontem em minha cabeça e quase me levou às lágrimas em cena. Mas que agora elas rolam fáceis, libertas pela emoção deste jornalista que teima em ser ator. Ou seria o contrário?

  • Geovani Berno é ator, publicitário e jornalista

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