Assassinato de PM por policial civil em bar do DF reabre debate sobre porte de armas em horário de folga

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Após um leve esbarrão casual, o policial civil sacou o revólver e matou o PM com três tiros diante de câmeras e dezenas de testemunhas

Um simples esbarrão, comum em qualquer local cheio de gente terminou em tragédia para o tenente Herison de Oliveira Bezerra, em uma casa de shows de Águas Claras (DF) na madrugada de domingo para segunda-feira. Ele foi executado com três tiros pelo policial civil Péricles Marques Portela Junior, que está preso por tempo indeterminado, já que câmeras de segurança do local mostram claramente que não houve legítima defesa, apenas o uso irresponsável de arma de fogo.

A tragédia reabriu o debate sobre o uso de armas por policiais fora de serviço.

O porte de armas por policiais que não estão em serviço é uma antiga polêmica nas forças de segurança pública. Em março, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) recomendou à Polícia Civil do DF a alteração da portaria 75/2007-PCDF para evitar as “carteiradas”.

De acordo com o MPDFT, o uso indevido da carteira funcional pode acarretar crimes, como abuso de autoridade. A recomendação pede para que os policiais justifiquem à Corregedoria a necessidade do acesso em casas de shows por meio da carteira funcional.

Outra recomendação do Ministério Público é a proibição do consumo de álcool por policiais que entrarem armados em espaços de diversão. Na madrugada de domingo, na casa de shows Barril 66, os dois policiais entraram armados.

Imagens do circuito de segurança mostram que após um esbarrão, ambos sacaram as armas. De acordo com o gerente do local, havia mais de mil pessoas no estabelecimento e os policiais assinaram um termo de compromisso declarando que estavam armados.

O secretário de Segurança Pública do DF Anderson Torres disse à TV Globo que “a questão do porte de armas é uma prerrogativa do policial […] agora, como utilizá-la e o que fazer dela num momento como esse é o que a gente tá apurando.”

Torres afirmou ainda que “as forças policiais precisam acompanhar muito de perto a questão psicológica dos policiais”. O secretário chamou a morte do tenente de “tragédia” e classificou como “um fato isolado”.

Polícia Militar presta homenagem a tenente morto em casa de shows — Foto: Afonso Ferreira/TV Globo

“Atos pessoais dos dois no horário de folga, sem uniforme, sem atribuição de uma ou de outra força. Enfim, dois policiais do DF que numa triste coincidência se encontraram numa confusão e acabou do jeito que acabou.”

A SSP determinou à Polícia Civil que instaure um Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso.

O secretário disse também que prepara uma portaria para atender as recomendações do Ministério Público. Ele explicou que o documento, em fase de elaboração final, servirá para orientar os policiais na entrada de casas de diversões, estádios e eventos com aglomeração de pessoas.

Policial civil Pericles Marques Portela Junior preso em flagrante depois de atirar no PM Herison de Oliveira Bezerra — Foto: Instagram/Reprodução

Policial civil está preso por tempo indeterminado

Também na manhã desta terça, a Justiça do DF decidiu manter preso, por tempo indeterminado, o policial civil Péricles Marques Portela Junior. O agente, de 39 anos, que trabalhava na delegacia do Gama, foi preso em flagrante .

Durante a audiência de custódia, a juíza Flávia Pinheiro Brandão Oliveira destacou que o fato de Péricles ser policial agrava a situação e afirmou que o agente não agiu para se defender, de acordo com imagens do circuito interno da casa de shows.

“Não é possível colocar o policial civil Péricles Marques na situação de autodefesa, pois as imagens demonstram que o agente sacou primeiro a arma, disse juíza.”

Com informações do G1/DF