Há uma fila de pelo menos 19 empresas de capital aberto lutando para não ter o mesmo destino da rede que enterrou o sonho de liderar seu segmento.

As ações da rede de farmácias Brasil Pharma foram suspensas da B3, após a Justiça decretar sua falência na terça-feira (11). Dona das redes Farmais, Rosário, Guararapes e Mais Econômica, a companhia fundada pelo BTG Pactual é a oitava a deixar o mercado de capitais em decorrência da quebra do negócio. Com a renitente crise econômica, o número tende a crescer. O que acontece quando uma empresa listada vai à lona?

O valor da ação derreteu rapidamente desde o pico alcançado em fevereiro de 2013, quando ultrapassou os 770 reais por papel no fechamento. A rede de farmácias foi retirada da bolsa valendo 0,62 real por ação na véspera, quando cedeu mais de 12%. O maior tombo diário aconteceu no último dia 6, quando a companhia anunciou o pedido de falência e os papéis despencaram 51,45%.

Fila de empresas em recuperação

Foram poucos os casos em que uma empresa teve seu registro cancelado na B3 por falência. Houve três ocorrências no ano 2000, uma em 2005, outras duas em 2013 e a mais recente em 2017, da fabricante têxtil Buettner, de Santa Catarina.

Agora, há uma fila de pelo menos 19 empresas de capital aberto que lutam para não ter o mesmo destino da Brasil Pharma. Entre elas, estão a fabricante de telhas Eternit, que pediu recuperação em março, a operadora de telecomunicações Oi, que arrasta um complicado processo na justiça desde 2016.

Há ainda na lista as emblemáticas empresas que pertenceram ao grupo X, do ex-bilionário Eike Batista, a mineradora MMX, e a petroleira OSX. Também está na lista a Livraria Saraiva, que luta contra a ruína em meio à decadência do modelo de vendas físicas de livros.

O registro destas empresas em recuperação pode ser suspenso a qualquer momento caso elas deixem de prestar informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão regulador do mercado de capitais. Na terça-feira, a Inncorp e a Tecnosolo foram suspensas da bolsa por descumprirem tais regras há mais de um ano.

Como ficam os acionistas após a falência?

Quem vendeu as ações da empresa falida antes da suspensão do negócio não tem mais nada a receber. Já o acionista que detinha os papéis dificilmente terá chances de reaver o dinheiro, explica o advogado Miguel Neto, sócio do Miguel Neto Advogados.

Em quase todos os casos de quebra, a empresa que faliu deixa os credores na mão, já que, em tese, não tem ativos para cobrir a dívida.

“A exceção é quando houve indícios de má gestão dos administradores ou algum erro dos auditores que assinaram os balanços. Nestes casos, o acionista pode entrar com ação contra estas pessoas”, afirma Neto.

Do topo à decadência

As perspectivas para a Brasil Pharma eram promissoras quando a empresa estreou na bolsa em 2011. A empresa foi criada em 2009 pelo banco BTG Pactual para ser uma consolidadora do promissor mercado farmacêutico brasileiro. Na época da abertura de capital, a dona da Farmais se apresentava como a maior do varejo farmacêutico no Brasil em número de lojas. O papel foi precificado no IPO a 17,25 reais, numa estreia que captou 466 milhões de reais.

A rede de farmácias chegou a ter uma alta expressiva nos dois anos seguintes, mas a partir de 2013 seu valor de mercado só encolheu, em meio a resultados ruins frente à concorrência com as gigantes Droga Raia e Drogasil.

A companhia apresentou seu pedido de recuperação judicial em janeiro de 2018, quando já acumulava dívidas de mais de R$ 1 bilhão. Em março, a Panpharma, uma das maiores distribuidoras de produtos farmacêuticos, conseguiu uma liminar suspendendo o plano de recuperação da Brasil Pharma. Com isso, bastaram pouco mais de dois meses para o sonho da companhia de ser líder do setor ruir para sempre.

Revista Exame

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