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O Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira (16/3) que há 234 casos confirmados do novo coronavírus no Brasil

Há casos confirmados em São Paulo (152), Rio de Janeiro (31), Distrito Federal (13), Santa Catarina (7), Minas Gerais (5). Paraná (6), Rio Grande do Sul (6), Goiás (3), Pernambuco (2), Mato Grosso do Sul (2), Bahia (2), Espírito Santo (1), Amazonas (1), Rio Grande do Norte (1), Sergipe (1) e Alagoas (1).

Atualmente há 2.064 casos suspeitos em todo o Brasil. Desde os primeiros registros, foram descartados 1,6 mil casos.

Na sexta-feira (13), a pasta disse que a transmissão comunitária do vírus já ocorre no país, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

A transmissão comunitária ocorre quando há casos em que não é mais possível identificar a cadeia de infecção. Isso significa que o vírus está circulando livremente na população. Até então, só havia registros de casos importados ou de transmissão local, em que é possível identificar a origem da infecção.

De acordo com uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseada no estudo de 56 mil pacientes, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia), 14% sintomas severos (dificuldade em respirar e falta de ar) e 6% doença grave (insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte).

Nos casos importados, os pacientes se infectaram em viagens ao exterior. Nos casos de transmissão local, os pacientes se infectaram pelo contato próximo com casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus.

Respostas do governo

Na noite de sexta-feira (13), foi publicada em edição extra do Diário Oficial uma Medida Provisória (MP) da presidência que abre crédito extraordinário de cerca de R$ 5 bilhões em favor dos ministérios da Saúde e Educação para o enfrentamento ao coronavírus. Sendo uma MP, a matéria entra em vigor no momento da publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias — caso contrário, perde a validade.

Mais cedo, em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde anunciou uma série de recomendações gerais para municípios e Estados, e também propostas direcionadas para as cidades onde há casos de transmissão local e comunitária. A pasta afirmou que, sem a adoção destas medidas, o número de casos pode dobrar a cada três dias.

Entre as propostas para lugares com transmissão local e comunitária, está a redução do contatos social de idosos e doentes crônicos; cancelamento de eventos em locais fechados com mais de cem pessoas ou realização destes sem público; antecipação das férias nas instituições de ensino; e quarentena se a ocupação dos leitos de UTI destinados ao tratamento da covid-19 atingir 80%.

“Nos países que estão enfrentando este problema, a adoção destas medidas não farmacológicas reduziu a velocidade de transmissão e retardou o pico da epidemia, dando melhores condições para que os serviços de saúde impactados pelo aumento da demanda possam se recuperar”, disse Oliveira.

O secretário destacou ainda que os gestores de saúde locais devem avaliar se e como adotarão estas medidas, de acordo com a evolução do número de casos em suas cidades e Estados.

RJ e SP anunciam medidas

Após o anúncio do ministério, os governos dos Estados de São Paulo e do Rio anunciaram medidas pra atender as recomendações do ministério.

O governo paulista anunciou que recomenda o cancelamento de eventos de lazer, culturais e esportivos com mais de 500 participantes.

Também recomendou a suspensão imediata das aulas em universidades públicas e uma suspensão gradual nas escolas das redes públicas estadual e municipal da cidade de São Paulo, a partir de 16 de março.

As escolas continuarão abertas por uma semana após esta data, e, no dia 23 de março, as aulas serão suspensas. A mesma recomendação foi feita para a rede privada.

A data foi determinada a fim de dar tempo suficiente para que as famílias se organizem para o período em que as escolas ficarão fechadas. O governo pediu que as crianças não sejam deixadas com os avós, porque idosos têm mais chances de desenvolver quadros graves quando são infectados pelo novo coronavírus.

O governo paulista afirmou que ainda não há uma previsão de quando as atividades de ensino serão retomadas e que isso será avaliado constantemente, de acordo com a evolução da epidemia.

O governo fluminense anunciou a suspensão por 15 dias da aulas nas redes pública e privada, em escolas e universidades, e de eventos esportivos, shows, feiras, comícios, passeatas, entre outros, assim como o fechamento de teatros, casas de show e cinemas.

Também foram suspensas as visitas a pacientes internados por causa do novo coronavírus em hospitais públicos e privados e a detentos de unidades prisionais, assim como o transporte de presos para a realização de audiências.

Ainda haverá uma redução do atendimento ao público nas repartições públicas do Estado.

Pandemia

Na quarta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou uma pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, que já chegou a 118 países e a todos os continentes, exceto a Antártida, e infectou mais de 125 mil pessoas, levando cerca de 4,6 mil delas à morte.

“Os números de casos, de mortes e o número de países afetados deve ser ainda maior nos próximos dias e nas próximas semanas”, diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao anunciar a declaração de pandemia.

Ghebreyesus afirmou ainda que a OMS está “profundamente preocupada” com o níveis “alarmantes” de disseminação da doença e de “inação”, mas que o fato de o surto global ter evoluído para uma pandemia não significa que seja impossível reverter a situação atual.

A OMS estima que 3,4% dos pacientes morrem por causa da Covid-19, a doença causada por este vírus. Mas especialistas estimam que essa taxa de letalidade gire em torno de 2% ou menos.

O Ministério da Saúde informou que estudos apontam que 90% dos casos do novo coronavírus apresentam sintomas leves e podem ser tratados nos postos de saúde ou em casa.

Mas, entre aqueles que são hospitalizados, o tempo de internação gira em torno de três semanas, o que gera um impacto sobre os sistemas de saúde, de acordo com a pasta, já que os leitos de unidades de tratamento intensivo (UTI) ficam ocupados por um longo tempo. Por isso, o governo vai buscar ampliar o número de leitos de UTI disponíveis. Via BBC Brasil

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