Cloudflare rompe com fórum 8chan após massacre no Texas

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Perpetradores de vários ataques em massa usaram site para disseminar propaganda nacionalista branca. Empresa de segurança cibernética Cloudflare retira seus serviços: “Eles provaram que são fora da lei.”

A empresa de segurança e infraestrutura digital americana Cloudfare declarou nesta segunda-feira (05/08) que não continuará prestando serviços ao fórum online 8chan, em que o principal suspeito do ataque a tiros em El Paso teria publicado um manifesto de nacionalismo branco.

O site 8chan é um fórum ao estilo do Reddit, em que os usuários debatem todo tipo de assuntos sem interferência de administradores. Não é a primeira vez em 2019 que foram anunciados na plataforma atentados, logo depois perpetrados de fato.

“Com base nas evidências que vimos, parece que ele postou um texto no site imediatamente antes de iniciar seu terrível ataque contra o hipermercado Walmart de El Paso, matando 20 pessoas”, afirmou o presidente da Cloudfare, Matthew Prince, no blog da empresa.

Os administradores do 8chan “retiraram voluntariamente a postagem”, de acordo com seu fundador e ex-administrador Fredrick Brennan, que se distanciou do site. Prince citou outros casos em que foi postado no fórum conteúdo de ódio antecipando violência politicamente motivada, como os ataques a mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia, e a uma sinagoga em Poway, Califórnia.

Segundo o executivo, a empresa notificou ao 8chan que ele não mais disporia de segurança cibernética e outros serviços,inclusive a proteção contra ataques de negação de serviço distribuído (DDoS, na sigla em inglês), em que hackers derrubam um site após inundá-lo com tráfego falso. “Eles provaram que são fora da lei e que essa ilegalidade tem causado múltiplas mortes trágicas”, comentou Prince.

Acredita-se que o homem de 21 anos suspeito de matar 20 pessoas num Walmart do Texas tenha postado um manifesto no 8chan, combinando elementos de teorias de conspiração extremistas de direita.

No manifesto, o suspeito elogiava o atirador de Christchurch e citava “a invasão hispânica do Texas” como principal motivação do ataque. O FBI iniciou um inquérito sobre o tiroteio como um caso de terrorismo doméstico e crime de ódio.

Na esteira do tiroteio na sinagoga em Poway, em que o autor também postou conteúdo no 8chan, funcionários do FBI revelaram que a agência está agindo na direção de investigar esses casos durante uma audiência do Congresso com o tema “confrontar a supremacia branca”.

“Extremistas violentos estão cada vez mais usando a mídia social para a distribuição de propaganda, recrutamento, seleção de alvos e incitação à violência”, afirmaram as autoridades. “Esses agentes tendem a se radicalizar online e visam minorias e alvos civis, usando armas facilmente acessíveis.”

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Contudo 8chan e Twitter não são os únicos serviços online usados para promover o extremismo etnonacionalista: o Southern Poverty Law Center (SPLC), nos EUA, identificou outras plataformas, como Telegram e Gab.

“Os nacionalistas brancos têm usado plataformas marginais como o 8chan e o aplicativo de mensagens Instagram para reivindicar ataques terroristas como o de El Paso e louvar como ‘santos’ os que perpetram tiroteios em massa em nome de sua ideologia “, postou o SPLC no domingo.

O Gab, que se apresenta como alternativa de direita ao Twitter, também foi usado pelo perpetrador do tiroteio na sinagoga de Pittsburgh, em 2018, no qual 11 pessoas foram mortas durante uma cerimônia de batismo.

A empresa de hospedagem de sites GoDaddy e PayPal, juntamente com outras empresas online, impediram o Gab de usar seus serviços após o ataque por “permitir explicitamente a perpetuação de ódio, violência ou intolerância discriminatória”.

Mas alguns críticos acreditam que os governos deveriam ter um papel mais proativo na contenção do discurso de ódio online e na proliferação da propaganda etnonacionalista, em vez de confiar no critério comercial.

O presidente da Cloudflare citou os esforços europeus para atribuir a responsabilidade de remover discurso de ódio não apenas aos provedores de serviços, mas também aos provedores de conteúdo, especialmente os otimizados para compartilhar conteúdo.

“A Europa, por exemplo, assumiu a liderança nesta área”, comentou Prince. “Como vimos, os governos de lá tentam combater o ódio e o terror online, se reconhece a necessidade de impor diferentes obrigações às empresas que organizam e promovem conteúdo – como Facebook e Youtube – mais do que as que são meros canais para esse conteúdo.”

A Alemanha, em particular, tem liderado esforços para combater o crime de ódio online e o incitamento à violência. Novas leis forçam as redes sociais, como Facebook e Twitter, a remover o discurso de ódio em 24 horas, ou enfrentar multas de até 50 milhões de euros.

No início de agosto, as autoridades alemãs multaram o Facebook em 2 milhões de euros por comunicar menos queixas por incitação ao ódio do que recebera, deixando de cumprir a obrigação de apresentar um relatório bienal sobre seus progressos na luta contra o extremismo.

FC/dw/ots – Deutsche Welle

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