Mais de 15 mil consorciados querem saber quando receberão de volta o valor que investiram no serviço

O sonho de conquistar a casa própria ou um carro zero se tornou um pesadelo para cerca de 15 mil clientes do consórcio Unilance, com sede em Curitiba. Desde outubro do ano passado, quando o Banco Central decretou intervenção extrajudicial na empresa, os clientes não sabem se ainda verão a cor do dinheiro que investiram.

Esse é o caso do funcionário público João Rodolfo da Cruz Cardoso, que pagou, no total, R$ 6,8 mil em um período de dois anos. “Eu acreditei na empresa, que tinha 27 anos de mercado, e comprei uma carta de crédito para adquirir um veículo. Em meados de outubro, soube que o Banco Central havia aberto uma liquidação extrajudicial e fiquei sem saber o que fazer”, comentou ele em entrevista à Banda B nesta quinta-feira (14).

A chefe de caixa Rogéria Cardoso está na mesma situação. O prejuízo para ela, no entanto, foi ainda maior: ela desembolsou R$ 20 mil em um consórcio de imóvel na Unilance. “Eu acabei cancelando o negócio e eles ficaram de me devolver o dinheiro, mas até agora nada. A empresa está aí, decretando falência, e ninguém diz quando vão nos entregar o que a gente pagou”, disse.

A pedagoga Sabrina Vinoti, que quitou 59 de 60 parcelas do consórcio para a compra de uma moto, também aguarda por respostas. “Alguns perderam valores menores, outros maiores, mas não interessa. O dinheiro é meu e eu não vou sair por aí dando R$ 10 mil na rua”, desabafou.

O que diz a Unilance

Segundo o advogado Claudio Berti, que representa um dos sócios do consórcio, a administradora começou a passar por problemas a partir da crise financeira que atingiu o país em 2014. “Desde então, a empresa passou por dificuldade recorrente da inadimplência dos consorciados, causada pela crise econômica. De lá para cá, a Unilance foi fiscalizada pelo Banco Central e sofreu auditorias externas periodicamente”, falou.

O advogado defende que, em nenhum momento, houve má-fé por parte da administradora no atendimento aos clientes. “Todos os contemplados receberam as suas cotas. Existiam alguns que ainda aguardavam o recebimento, considerando que o processo estava em tramitação, por falta de documentação ou algo nesse sentido, mas não existia problema de contemplação”, alegou.

Ele admitiu, no entanto, que não pode confirmar qual é a atual situação do consórcio. “Considerando que o meu cliente não está mais à frente da administração da empresa, nós não temos informações relacionadas à arrecadação de recursos. Agora, o consórcio está sendo gerido pelo liquidante nomeado pelo Banco Central, que deve definir quais serão os próximos passos”.

O liquidante

De acordo com o advogado, o procedimento adotado pelo liquidante foi de tentar alienar os grupos do consórcio para outra administradora, com o objetivo de preservar os clientes. “A própria liquidação, porém, inviabilizou essa venda, porque ela deixou de ser atrativa”, finalizou Berti.

O liquidante informou, em nota, que o regime de liquidação extrajudicial está em andamento, aguardando decisão do Banco Central sobre os próximos encaminhamentos.

Leia abaixo a nota na íntegra:

Inicialmente, informamos que o Banco Central do Brasil por meio do Ato nº 1.341, de 05 de outubro de 2018, publicado no Diário Oficial da União – D.O.U. em 8 de outubro de 2018, decretou a liquidação extrajudicial da Unilance Administradora de Consórcios Ltda., em razão do quadro de insolvência patrimonial e das graves violações às normas legais que disciplinavam sua atividade.

Conforme previsto no art. 16 da Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, foi nomeado pelo Banco Central do Brasil, como liquidante, Gilmar J. Bocalon Assessoria e Consultoria Empresarial, CNPJ 30.117.894/0001-65, com amplos poderes de administração e gestão, sendo o principal objetivo a apuração de bens e direitos, visando ao pagamento das obrigações, conforme as forças da massa liquidanda, por meio do concurso universal de credores.

O liquidante, com base no art. 40, § 2º, da Lei 11.795/2008, publicou, no D.O.U. de 30 de outubro de 2018, edital para habilitação de administradoras de consórcio interessadas em assumir a administração dos 27 grupos de consórcio geridos pela liquidanda, tentativa que não obteve sucesso. Assim, em uma nova tentativa, foi publicado no D.O.U., de 10 de janeiro de 2019, novo edital objetivando a transferência dos grupos, cujo prazo encerrou-se em 8 de fevereiro 2019, sem que houvesse interessados.

Assim, o regime de liquidação extrajudicial, regido pela Lei nº 6.024/1974, e, subsidiariamente, pela Lei nº 11.101/2005, encontra-se em andamento, conforme estabelece o art. 21 da Lei 6.024, ou seja, aguardando decisão do Banco Central do Brasil sobre os próximos encaminhamentos.

Em relação à possibilidade de devolução de valores, informamos que, não há data prevista para liberação dos créditos existentes contra a Instituição, e que os pagamentos, quando realizados, obedecerão a ordem estabelecida pelo art. 83 da Lei nº 11.101/2005.

Ademais, solicitamos a todos os ex-consorciados que acompanhem a evolução do processo de liquidação extrajudicial consultando o site www.unilance.com.br. Não obstante, a Instituição continua à disposição por meio dos canais abaixo.