Coringa, um tratado sobre as relações humanas em uma sociedade doente

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Ambiente tenso, sociedade doente e o abandono de quem sofre doenças mentais, essa é a temática do filme com Joaquim Phoenix

Fui assistir ao filme Coringa no último domingo. Confesso que não era minha primeira opção, meio saturado de filmes de heróis e vilões, mas Ad Astra, com Brad Pitt só estaria em cartaz às 21 horas, então fui de Coringa.

Impossível não comparar a atuação de Phoenix com Heath Ledger, que de longe foi quem melhor incorporou a insanidade e intensidade que o personagem requer, em se tratando de vilão de HQ. Porém, Phoenix é intenso, e o pior, aproxima-se perigosamente da realidade contemporânea. 

Uma Gothan City que sofre com uma greve dos garis, com lixo acumulando nas ruas, pessoas deprimidas, cortes em programas sociais, uma vida infeliz e ricos tratando pessoas menos favorecidas, são o laboratório perfeito para o desenvolvimento da personalidade do vilão, cuja marca registrada é um sorriso nervoso.

Em meio a esse caos, ele sofre com questões básicas que perseguem a psique humana, tais como “que eu sou, de onde vim”. Além disso, Coringa mostra o descaso do poder público com pessoas que sofrem de problemas mentais e claro, a forma quase sádica como a sociedade trata os diferentes.

Não é um filme que recomendo para adolescentes ou pessoas com algum tipo de problema como depressão ou tendências à violência. Mas é uma obra que merece ser vista e principalmente, deve ser levada em consideração quando vivemos um período onde a sociedade sofre de um perigoso mal, a da falta de empatia e civilidade.

Não espere “tiro, porrada e bomba”. Não espere perseguições alucinadas pelas ruas ou acrobacias de fuga. A principal importância do filme é a discussão de temas tão atuais, que nos fazem refletir sobre a necessidade de compreendermos a necessidade de respeitar os outros, o cuidado com as palavras e forma como nos portamos diante de estranhos que podem estar sofrendo com problemas graves e em alguns momentos, nos damos o direito de”zuar”  com elas simplesmente por serem diferentes. 

Não é um filme de herói ou vilão. É um tratado sobre as relações humanas.

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