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É possível sim a contaminação através do contato com os corpos de vítimas da doença por exposição a sangue e fluidos corporais infectados

O Brasil chegou ao primeiro mês da pandemia do novo coronavírus com um balanço de mais de 2,9 mil casos confirmados e 77 mortes em decorrência da Covid-19. Mas quais são as recomendações sobre os velórios e sepultamentos dessas vítimas?

Eles podem ser enterrados ou devem ser cremados? Velórios com a presença de parentes são autorizados? O que fazer se o óbito acontece em casa?

As regras para esses procedimentos foram definidas pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (25) – quando o Brasil já tinha confirmado até então 59 óbitos – e constam no manual de manejo dos corpos no contexto da Covid-19, com as diretrizes, passos e precauções a serem tomadas.

A pasta deixa claro no documento que é possível sim a contaminação através do contato com os corpos de vítimas da doença por exposição a sangue e fluidos corporais infectados, objetos ou outras superfícies ambientais contaminadas, sobretudo nos hospitais e unidades de saúde.

O ministério chega a recomendar que profissionais de saúde que integrem o grupo de risco para a Covid-19 não sejam expostos às atividades relacionadas ao manejo de corpos de casos confirmados ou sequer suspeitos.

Para evitar o contágio, é recomendado que os profissionais de saúde façam uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) como gorro; óculos de proteção ou protetor facial; avental impermeável de manga comprida; máscara cirúrgica; luvas e botas impermeáveis.

Somente um único familiar fará o reconhecimento do corpo e, durante o processo, precisará ficar a 2 metros do corpo e de maneira nenhuma poderá tocá-lo Dependendo da estrutura do local, recomenda-se que o reconhecimento seja feito por fotos.

Após o reconhecido, o corpo recebe três camadas de proteção: um lençol, um saco impermeável próprio para evitar vazamento de líquidos e secreções, e um segundo saco externo, que deverá, ao final do processo, ser limpo e desinfetado. Nesse último saco, é afixada a informação relativa ao risco biológico: COVID-19, agente biológico classe de risco 3.

Na chegada ao necrotério, o funcionário deverá alocar o corpo em compartimento refrigerado e sinalizado como COVID-19 para, em seguida, lacrar o corpo em uma urna que será entregue aos familiares ou responsáveis. Após lacrada, a urna não deverá ser aberta.

O transporte do serviço funerário deverá, segundo o ministério, ser avisado que trata-se de um paciente vítima do novo coronavírus para que possa adotar as medidas de precaução. Não é necessário um veículo especial para transporte do corpo, nem o uso de EPIs pelos motoristas desde que os mesmos não tenham contato com o corpo.

TOPSHOT - Mortuary employees wearing face masks wheel a coffin into the crematorium of La Almudena cemetery in Madrid on March 24, 2020 during the funeral of a COVID-19 coronavirus victim. - Spain has been one of the worst-hit countries, logging the third-highest number of deaths with the latest figures showing a toll of 2,696. (Photo by OSCAR DEL POZO / AFP) (Photo by OSCAR DEL POZO/AFP via Getty Images)
Funcionários do serviço funerário espanhol utilizando luvas e máscaras de proteção para transporte do corpo (Foto: Oscar Del Pozo / AFP via Getty Images)

Óbitos em casa ou locais públicos

O ministério também elaborou recomendações em casos de mortes de pacientes – com casos confirmados ou suspeitos – em residências ou casas de acolhimento. O primeiro passo é avisar aos familiares para não manipularem o corpo e evitarem o contato direto.

A retirada do corpo da residência deverá ser feita apenas por equipe de saúde, orientada a usar os mesmos EPIs que seriam utilizados em uma unidade de saúde.

De maneira nenhuma a vítima da Covid-19 deverá ser retirada ou transportada por familiares ou vizinhos. Após a remoção, será preciso desinfectar os ambientes e objetos da casa.

Para mortes em vias ou locais públicos, como ruas ou praças, a pasta recomenda que as autoridades locais orientem para que ninguém realize manipulação ou o contato com os corpos, e que sejam seguidas as mesmas observações de segurança e procedimentos dos óbitos em casas.

Velórios e funerais

Os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da Covid-19 não são recomendados devido à aglomeração de pessoas em ambientes fechados.

Caso seja vontade da família realizar, a pasta recomenda manter a urna funerária fechada durante todo o velório e funeral, evitando qualquer contato como toque ou beijo com o corpo.

O caixão deverá ser disposto em um local aberto e ventilado, e com água, sabão, papel toalha e álcool em gel a 70% para higienização das mãos durante todo o velório.

A presença de pessoas do grupo de risco para a Covid-19 no funeral é severamente contraindicado pelo ministério, assim como de pessoas que estejam apresentando sintomas da infecção pelo Sars-CoV-2.

É proibido a disposição de alimentos no velório. No caso de bebidas, deve-se atentar para o não compartilhamento de copos. Recomenda-se que o enterro ocorra com no máximo 10 pessoas, não pelo risco biológico do corpo, mas sim pela contraindicação de aglomerações, lembrando ainda de respeitar a distância de 2 metros entre os presentes.

Os corpos das vítimas poderão tanto serem enterrados quanto cremados.

A Prefeitura de São Paulo tem orientado os familiares das vítimas da Covid-19 a não realizar velório. Caso queiram realizá-lo, são informados de que o acesso às salas está restrito a até 10 pessoas, com 1 hora de duração e em urna fechada. Para casos suspeitos ou confirmados, há salas de velório específicas em cada necrópole e os velórios noturnos foram suspensos.

Em 4 dias, as mortes por coronavírus no estado de São Paulo crescem 164%, saltando de 22 para 58, das quais somente uma vítima era do interior. As outras 57 são de municípios da Grande São Paulo.

Quem são os mortos?

Dados divulgados pela pasta do ministro Luiz Henrique Mandetta indicam que, até agora, os óbitos concentram-se na população com idades entre 70 e 99 anos, mas com ocorrências fatais em vítimas na casa dos 30 aos 59. Do total, 68% das vítimas fatais eram homens, enquanto a porcentagem de vítimas mulheres é de 32%.

As comorbidades mais presentes entre os mortos pelo novo coronavírus no Brasil são cardiopatia, diabetes, pneumopatia e alguma forma de imunodepressão, seguido de doença renal crônica.

João Conrado Kneipp – Yahoo Notícias

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