Bebê teve 90% do corpo queimado e precisou passar por cirurgia em Rio Branco; mãe da criança não pôde ser transferida porque o estado de saúde também é gravíssimo

Das 18 vítimas atingidas pela explosão de uma embarcação dentro do Rio Juruá em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, oito seguem em estado gravíssimo, uma foi liberada e as demais têm quadro de saúde estável. A explosão ocorreu na sexta-feira (7).

A informação foi dada pelo diretor de Assistência à Saúde do Acre, Wilson Afonso, neste sábado (8).

Três vítimas foram transferidas para a capital Rio Branco. Entre elas, um bebê de nove meses que teve 90% do corpo queimado e passou por cirurgia e uma mulher grávida. Mais uma criança deve ser levada para lá.

As demais vítimas estão internadas no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul. A mãe do bebê também está em estado gravíssimo e não tem condições de ser transferida para a capital. A criança está sob a responsabilidade de uma tia, de acordo com Afonso.

“Oito pessoas estão em estado grave, entubadas, com queimaduras que atingiram até 90% do corpo. Outras nove são pacientes estáveis, com queimaduras entre 30 e 35% da superfície corpórea. A maioria são queimaduras de 2º e 3º graus. Mas estão recebendo todo tratamento com antibióticos e analgesia adequada”, informou Afonso.

O diretor clínico do Hospital do Juruá, Marlon Holanda, explicou que as transferências dos pacientes são necessárias por causa do tratamento especializado que eles podem receber em Rio Branco.

“O motivo da transferência é por um suporte mais especializado e pela questão da Unidade de Tratamento Intensivo pediátrica, que aqui não tem, e também de cirurgião plástico que é necessário no caso”, explica o médico.

Afonso informou que equipes de médicos especializados foram encaminhados a Cruzeiro do Sul para auxiliar no atendimento às vítimas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o barco transportava mercadorias, pessoas e combustível para os municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, no interior do estado. O comandante do Corpo de Bombeiros de Cruzeiro do Sul, capitão José Dutra de Oliveira, informou que no momento da explosão o barco estava abastecendo.

“Um barco que ia para Marechal Thaumaturgo [cidade do interior], de um senhor conhecido por Moreno, estava abastecendo às margens do rio, ao lado do [bairro] Miritizal, direto de um caminhão pipa, que também não sei de onde é. Aparentemente, era um abastecimento clandestino, e o barco explodiu com o pessoal que estava dentro”, contou.

Investigação

A Marinha e a Polícia Civil do Acre vão investigar as causas da explosão. O delegado Lindomar Ventura, responsável pelo caso, afirmou que deve iniciar as oitivas das pessoas envolvidas e testemunhas na segunda (10). Peritos da Polícia Civil estiveram no local do acidente para iniciar a investigação.

A Marinha informou que, assim que tomou conhecimento da explosão, enviou uma equipe de busca e salvamento e de inspeção naval da Agência Fluvial de Cruzeiro do Sul, junto com uma equipe do Corpo de Bombeiros do Amazonas.

Todas as pessoas foram resgatadas com vida e os feridos foram encaminhados ao hospital da cidade. Um inquérito será instaurado para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades pelo acidente”, afirmou a Marinha em nota.

A Marinha quer saber se a embarcação tem inscrição, qual a tripulação dela, se era autorizada a transportar combustível, pessoas, mercadorias e de que tamanho era a embarcação, além de identificar o proprietário.

Do G1/AC

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