Diminuição da Amazônia pode afetar clima e abastecimento de água em todo o planeta

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Caso haja um surto de desmatamento na floresta no governo de Jair Bolsonaro, os impactos ambientais poderiam ocorrer a nível global, e não apenas na região

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, tem grandes planos para a floresta Amazônica.

Ele quer abrir mais minas e pavimentar mais estradas. Ele quer menos penalidades para derrubar árvores e prometeu deter o crescimento de  uma rede de reservas florestais indígenas. Bolsonaro cogitou, ainda, fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente do país (decisão da qual ele voltou atrás), visando tornar mais fácil para as poderosas indústrias de soja e pecuária transformarem mais selva nativa em pastagens e fazendas.

Em janeiro, quando Jair Bolsonaro, militar aposentado de 63 anos, assumir o comando de um país que administra quase 4 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, os riscos para a vida selvagem e para as  comunidades tribais indígenas serão claros. Se Bolsonaro seguir suas promessas de campanha, as taxas de desmatamento no Brasil podem quase triplicar, de acordo com  uma avaliação feita por cientistas.

Contudo, as consequências das políticas de Bolsonaro também seriam sentidas muito além das áreas atingidas pelas motosserras. Mesmo aumentos discretos no desmatamento podem afetar o abastecimento de água em cidades brasileiras e em países vizinhos, prejudicando também as fazendas que ele está tentando expandir.  Um desmatamento mais intenso pode alterar o suprimento de água em lugares tão distantes quanto África e Estados Unidos.

O mais preocupante: alguns cientistas apontam que a Amazônia já pode estar se aproximando de um ponto crítico. A região está tão degradada que até mesmo um pequeno aumento no desmatamento poderia levar a floresta a uma transição para algo parecido com uma savana, de acordo com uma análise feita no começo deste ano por dois especialistas. Além de destruir permanentemente enormes partes da maior floresta tropical do mundo, essa mudança liberaria quantidades imensas de gases do efeito estufa, que aquecem o planeta, o que pode acelerar o declínio da floresta remanescente.

“Já estamos em uma situação muito crítica em termos de mudança climática”, diz Adriane Esquivel-Muelbert, que estuda florestas tropicais na Universidade de Lees, no Reino Unido. A brasileira é a principal autora de um estudo publicado este mês que mostra que a mistura de espécies de árvores na floresta já está mudando, em resposta ao aumento das temperaturas.

“Se a Amazônia for destruída, as emissões de dióxido de carbono aumentarão tão maciçamente que todos sofrerão”, acrescenta ela.

Segundo as análises de alguns, isso pode acontecer rapidamente.

A taxa de desmatamento da Amazônia brasileira aumentou nos últimos anos – e sob a liderança do novo presidente, Jair Bolsonaro, espera-se que aumente ainda mais. A floresta é frequentemente queimada para limpeza, com a terra sendo usada para pastagens ou campos agrícolas.
FOTO DE MICHAEL NICHOLS, NAT GEO IMAGE COLLECTION
IMAGEM CEDIDA POR MICHAEL NICHOLS, NAT GEO IMAGE COLLECTION

A floresta tropical faz chover

Deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, Bolsonaro derrotou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na eleição presidencial de outubro. O presidente eleito é tão abertamente hostil à ordem estabelecida em seu país que alguns o chamam de “Trump Tropical”.

Sua ascensão vem em um momento perigoso para a Amazônia.

De sapos venenosos e tamanduás-bandeira a micos-leões-dourados e formigas-do-cabo-verde, a floresta tropical sul-americana é o bioma mais rico em espécies da Terra, com mais diversidade de plantas em um único hectare do que pode ser encontrada em muitos estados americanos. É o lar de 10% das espécies do mundo, incluindo 2,5 milhões de espécies de insetos.

A floresta também influencia o ciclo da água em uma escala regional e, talvez, até global. Quando a umidade sai do Oceano Atlântico, ela cai na floresta como chuva. Essa água é sugada por raízes profundas, depois se move pelas plantas e pela superfície das folhas antes de retornar à atmosfera. Ventos soprando sobre as irregulares copas das árvores da floresta criam turbulência, o que permite que a atmosfera absorva mais umidade.

Leia a reportagem completa da National Geographic

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