Doença misteriosa atinge ao menos sete homens em Minas Gerais; um morreu

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Segundo nota técnica da Saúde estadual, quadro é de insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas), seguida de alterações neurológicas

Uma doença misteriosa vem assustando moradores — especialmente homens — de Buritis, bairro de Belo Horizonte. Segundo nota técnica da Secretaria de Estado de Saúde, ao menos sete pacientes de Minas Gerais (cinco de Belo Horizonte, um de Ubá e outro de Nova Lima) foram atingidos pelo mal, que traz insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas) somada a alterações neurológicas.

Entre as alterações neurológicas apresentadas pelos pacientes, a secretaria destaca paralisia facial, borramento visual, amaurose (perda da visão parcial ou totalmente), alteração de sensório e paralisia descendente. Os primeiros sintomas a aparecer são náusea, vomito e dor abdominal.
Ainda na nota, a secretaria de Saúde recomenda que a equipe médica que se deparar com esses sintomas em algum paciente comunique, imediatamente, o governo.

O objetivo da nota técnica é o “esclarecimento diagnóstico” e a “busca de novos casos”. Exames laboratoriais estão sendo realizados na Fundação Ezequiel Dias (Funed) para definição exata da doença. 

Óbito

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou, na noite desta terça-feira (7), que um dos pacientes internados com a doença misteriosa, que assombra o estado, perdeu a vida. Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, estava internado em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

De acordo com a pasta do governo estadual, a morte aconteceu na noite desta terça. A filha dele, Camila Demartini, confirmou o óbito à reportagem. Paschoal estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. No domingo, Camila conversou com o Estado de Minas e disse que o marido dela, Luiz Felippe Teles Ribeiro, de 37, também enfrenta os mesmos sintomas. Luiz está internado em Belo Horizonte.

Ela relatou a angústia da família, que ainda não sabe o que provocou a internação dos dois. Camila explica o drama pelo o qual têm passado desde o fim de semana anterior ao Natal.

Em 22 de dezembro (domingo), a família de Camila se reuniu na piscina do prédio onde o casal mora, no Buritis, para fazer uma confraternização. “Fizemos um churrasco aqui no prédio. Meu pai e meu marido estavam. Comemos picanha, medalhão, salsichão. Bebemos cerveja. Todos comemos. Mas, na segunda-feira seguinte ao evento, Felipe começou a passar mal. Teve febre, dor no corpo e diarreia. Na quarta-feira, o mesmo ocorreu com o meu pai”, relatou a farmacêutica nesse domingo.

Eles foram internados, na quinta-feira (27/1), após procurar ajuda médica pensando se tratar de uma virose. “É a mesma comida que comemos sempre, compradas nos mesmos lugares (dois supermercados diferentes). Muitos me perguntaram se era comida japonesa, mas não foi o que comemos. Nada que tivesse, aparentemente, estragado. Eu comi, minha mãe comeu, amigos comeram. A bebida é a que sempre bebemos. Por isso, é um mistério. E o que liga os quatro casos do Buritis? Eu não sei te falar”, desabafou.

Operação das autoridades  

As investigações do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas) seguem em curso para definir de qual mazela se trata e frear possíveis novos casos. Em nota técnica expedida nessa segunda, o Cievs-Minas informou que ao menos sete pessoas enfrentam os sintomas da doença: além do que perdeu a vida em Juiz de Fora, há uma pessoa internada em Nova Lima, na Grande BH, e outros cinco na capital mineira.

Uma força-tarefa foi designada pelas autoridades de saúde para vasculhar estabelecimentos comerciais e casas do Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, em busca de respostas para a doença. Todos os pacientes, com exceção do que está em Nova Lima, passaram pelo bairro situado em BH.

Ao grupo formado por agentes de saúde locais para trabalhar no caso, juntou-se ontem uma equipe enviada pelo Ministério da Saúde. Intoxicação exógena ou agente infeccioso são as duas principais linhas de investigação da Secretaria Estadual de Saúde. Nada, entretanto, está descartado, numa lista que vai de arboviroses a intoxicação alimentar ou por produtos químicos. 

Sintomas 

Pacientes começaram a apresentar os sintomas da doença misteriosa em dezembro último. No início, problemas gastrointestinais (náusea e/ou vomito e/ou dor abdominal). Depois, os pacientes sofrem insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas) somada a alterações neurológicas, como paralisia facial e descendente, borramento visual, amaurose (perda da visão parcial ou totalmente) e alteração de sensório. As informações são do Correio Braziliense

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