Em Minas, homem teria escravizado sexualmente mais de 240 mulheres

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A Polícia Civil acredita que, com a repercussão do caso, novas mulheres possam procurar ajuda

O número de vítimas de Roney Schelb, preso pela Polícia Civil em Belo Horizonte por suspeita de escravizar sexualmente mulheres em vários estados brasileiros, saltou de 173 para 240. Estão sendo analisados pelo menos 1.600 contatos telefônicos que ele fez com mulheres, obrigando-as a fazer “nudes”.

A expectativa dos investigadores é que, com a repercussão do caso, possam aparecer outras vítimas. Roney Schelb escolhia as mulheres nas redes sociais. Ele se aproximava das delas, prometia pagar por nudes – fotos e vídeos sensuais -, enviava falsos recibos de transferência bancária e depois que recebia as primeiras imagens, começavam as chantagens.

“Ele fazia uma promessa que variava de 4 a 10 mil reais apenas para algumas fotografias e alguns vídeos em poses sensuais. Só que, já de posse desses vídeos, de posse dessas fotografias, ele os utilizava para extorquir as vítimas, alegando que iria divulgar isso para familiares, iria divulgar isso para amigos, e no seu local de trabalho”, conta o delegado Magno Machado Oliveira.

Uma das vítimas contou que ele pedia mais de vinte vídeos e fotos todos os dias. E que ela se sentia obrigada a mandar, com medo de que ele tornasse o caso público a parentes e amigos.

Roney era líder em um grupo de jovens da Renovação Carismática de uma igreja católica em Muriaé, na Zona da Mata Mineira. Mas, de acordo com a investigação da Polícia Civil, toda essa religiosidade era parte de um personagem criado por ele. E ele teria criado vários. Os outros tinham nome, sobrenome e até perfis nas redes sociais. Que, de acordo com os investigadores, foram criados pra que ele conseguisse enganar e estuprar mulheres.

Roney Schelb foi preso acusado de cometer diversos crimes sexuais contra a dignidade de mais de 170 mulheres em 11 estados no Brasil — Foto: TV Globo/Reprodução

Ele controlava cinco perfis falsos em redes sociais e aplicativos de troca de mensagens. A vítima acreditava que estava conversando com várias pessoas, mas na verdade todas as mensagens eram escritas por Roney.

A polícia encontrou um contrato de escravidão consentida na casa do suspeito. O documento, assinado por uma das vítimas, diz que ela teria que fazer tudo que ele quisesse, sem limites.

O contrato criado por Roney estabelecia que as mulheres autorizassem que ele as agredisse com a força que quisesse e a qualquer momento.

A investigação começou depois que uma das mulheres decidiu procurar a Delegacia de Crimes Cibernéticos. Com um mandado de busca e apreensão, a polícia foi até a casa de Roney, na região metropolitana de Belo Horizonte, e encontrou, um arquivo detalhado com todas as informações das vítimas – tratadas por ele como escravas sexuais.

Os investigadores descobriram que várias mulheres foram obrigadas a se encontrar pessoalmente com ele e então foram estupradas. As vítimas dizem ainda que ele as obrigava a fazer sexo sem preservativo.

Mulheres de outros estados também eram chantageadas pela internet. “É o chamado estupro virtual, porque essas mulheres eram obrigadas a fazer sexo com terceiros ou praticar sexo com animais, gravar esses vídeos e enviar para o Roney”, explica o delegado.

A polícia identificou oito menores de idade entre as vítimas. Roney negou todas as acusações: “Quando se fala em estupro se imagina atos de violência ou alguma coisa do tipo. Eu nunca fiz nada disso, eu sou inocente.”

Ele vai responder por diversos crimes de estupro e violação sexual mediante fraude. ”Era um cidadão sádico, que praticou um grande número de crimes. Crimes contra a dignidade sexual das mulheres. Crimes contra a humanidade. Uma vez que ele fazia essas mulheres de escravas, da forma mais covarde e assustadora que tivemos notícias”, afirma o delegado Magno Machado.

Do G1/MG

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