Empresário de bitcoins acusa policiais de sequestro e relata como ex-delegado da PF ‘negociou acordo’

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P.R.R.B. depôs a promotores do Ministério Público paulista, apontou outro empresário do ramo digital, Guilherme Aere, e citou Leandro Daiello, que comandou a Polícia Federal durante mais de seis anos e hoje é advogado

Em depoimento ao Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual de São Paulo, o empresário P.R.R.B., que opera bitcoins, acusa outro empreendedor do ramo digital de ser o mandante de um suposto sequestro, que teria sido executado por policiais civis e da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), em julho. No relato, ele conta que o ex-diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello, atualmente seu advogado, teria atuado para negociar pagamentos para que o assunto ‘acabasse por ali mesmo’.

B. afirma ter sido abordado pelos agentes de segurança após uma reunião com seus advogados, e que foi conduzido até o Distrito Policial do Jaçanã, zona Norte de São Paulo, onde os policiais o acusaram de ‘traficante, amigo de bandidos e golpista’.

Segundo ele, a trama seria a mando de Guilherme Aere dos Santos, empresário que teria sido seu cliente na operação de bitcoins.

B. afirma que os policiais diziam que ele ‘havia dado um golpe’ em seu cliente e que ‘tinha que pagar por isso’. E ainda relatou que um dos agentes teria ligado para Aere e colocado os dois para conversarem diretamente durante o sequestro.

“Na quarta ligação que atendi do Guilherme, comecei a responder no mesmo tom que ele e o acusei de querer roubar minha empresa, envolvendo policiais em um problema muito grave, pois havia me sequestrado e me levado para uma Delegacia de Polícia sem nenhum motivo”, relatou.

“Não sei nem como escrever esta situação, pois para conseguir ser libertado precisava de certa forma fazer algo errado, como conseguir dinheiro vivo aquela hora da noite. Conseguimos por empréstimos reunir a importância de R$ 450 mil, que era o que tinha naquele momento, e combinamos mais R$ 550 mil para o sia seguinte”, diz.

Após convencer os agentes de que entregaria os valores, o empresário teria conseguido voltar a seu escritório, e viabilizado a entrega de valores, que teria sido feita no próprio 73.º DP do Jaçanã.

Após o ocorrido, Guilherme teria tentado notificá-lo por meio do ‘Tenente Narlich’, da Rota. “Voltando ao Guilherme, continuamos a ocnversas e, também envolvi outro advogado de nossa empresa, o dr. Rafael Stanfeld, que é especialista em criptomoedas, para me auxiliar nas conversas com o Guilherme e o advogado dele (dr. Gustavo Arbach). “Fomos ganhando tempo e infelizmente o dr. Leandro Daiello teve um problema em Porto Alegre e não conseguiu vir a São Paulo, e tivemos que ir postergando e achando motivos para não fecharmos nenhum acordo até que o dr. Daiello chegasse.”

Segundo o empresário, Guilherme incluiu, durante as tratativas, uma cláusula onde ‘constava que se o Grupo GBB não pagasse o que devia a ele, a BWA teria que pagar mais R$ 18 milhões a ele’.

“Com isto e mais uma cláusula de confidencialidade que ele não concordava, conseguimos chegar até a sexta-feira, que era quando ele contava com o primeiro pagamento, pediu para que eu pagasse mesmo sem assinar o documento tal era seu desespero e que ele assinaria o que eu quisesse depois, ou seja, excluímos a cláusula dos R$ 18 milhões. Não concordei e consegui marcar uma reunião com ele para a segunda-feira, para assinarmos o documento e efetuamos o primeiro pagamento”.

“Então, na segunda-feira após a chegada do dr. Daielo, juntamente com o Dr. Bruno, o dr. Rafael e o Rodrigo nosso funcionário, nos dirigimos para o shopping Cidade Jardim para encontrarmos o Guilherme”, afirma.

Segundo o empresário, Guilherme ‘ainda estava resistente em nos encontrar, a informação que obtivemos era de que estava sem sair de casa e era acompanhado por dois seguranças que eram policiais da Rota, os quais etavam dormindo na casa dele também’. “Ele acabou cedendo e veio junto o seu advogado dr. Gustavo, outro advogado que não sei o nome e mais um homem fazendo a segurança deles”.

“Nos acomodamos em um café e começamos a conversar, o dr. Daiello e o dr. Bruno ficaram um pouco distantes e depois chegaram na mesa também. Trocamos algumas palavras, mas a estratégia que o dr. Bruno tinha definido acabou não resultando em nada, pois o Guilherme não quis conversar com eles, e o seu advogado só queria saber do acordo assinado, perguntei ao dr. Gustavo Arbach se ele ainda concordava com aquela situação sabendo que o Guilherme tinha mandado me sequestrar e me matar, e a resposta dele era sempre de que não queria saber de nada, queria somente o acordo assinado”, diz.

“Neste período posterior a minha última conversa e reunião com o Guilherme, fiquei conversando com o dr. Bruno e o dr. Daielo, sobre nossos próximos passos, e ao mesmo tempo com o dr. André Guerato.

“O dr. Bruno e o dr. Daielo estavam seguindo ainda em uma linha de termos um acordo envolvendo os policiais para que tudo acabasse por ali mesmo e que o Guilherme parasse de nos incomodar, na verdade estavam seguindo uma linha que eu mesmo havia pedido para eles que era de não denunciar nada sobre a participação dos policiais civis, pois acredito que eu tenha sofrido naquela situação o que chamam de Síndrome de Estocolmo, pois acreditava que eles tinham salvo minha vida e saí daquela delegacia jurando que agora era amigo de todos eles”, concluiu.

De acordo com o empresário, ele demorou para fazer a denúncia por ‘temer riscos à sua vida e a de seus familiares’.

Em depoimento à Polícia Civil, Guilherme afirmou que o tenente da Rota é seu amigo, e que teria somente o ajudado a notificar B. Ele afirma negar conhecimento sobre a abordagem policial classificada como um ‘sequestro’ pelo empresário da área de Bitcoins.

Leia a reportagem completa no Estadão e veja os depoimentos

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