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Como adolescente gay na Rússia pós-soviética, Wes Hurley deu um suspiro de alívio quando sua mãe se casou com um americano e eles se mudaram para os EUA. Mas ele logo descobriu que seu padrasto, James, era radicalmente homofóbico. Isso levou a uma relação tensa, até que James passou por uma transformação inesperada.

A memória mais antiga de Wes Hurley é de seu pai bêbado batendo em sua mãe. Ele tinha apenas quatro anos e era jovem demais para realmente entender o que estava acontecendo, mas às vezes sonhava que estava assistindo a um filme. Ele fazia com as mãos o formato de uma lente de câmera e imaginava que sua vida, vista através dela, era uma ficção.

“Meus pais dançavam e cantavam, e eu imaginava uma versão divertida e excêntrica da minha vida. Ou eles brigavam de um jeito divertido. Não brigavam de verdade”, lembra Wes.

Seus pais logo se separaram e ele foi criado sozinho por sua mãe, Elena, uma jovem médica que trabalhava numa prisão.

Elena não era convencional. Ela não tinha vergonha de expressar suas opiniões anticomunistas, era o único membro de sua família que não era antissemita e não conseguia entender o ódio virulento que as pessoas a seu redor sentiam pelos gays.

Nos anos 90, uma indústria emergente de catálogos e serviços de namoro estava se desenvolvendo para conectar mulheres de países como a Rússia com homens de países como EUA, Japão e Austrália.

Elena forneceu informações de perfil e algumas fotos, como faria hoje em um site de namoro, e pagou uma pequena taxa para se conectar com homens americanos.

Ela se correspondeu com alguns deles nos dois anos seguintes e, eventualmente, viajou para os EUA para encontrar um homem cerca de 15 anos mais velho que ela, chamado James — um nome maravilhosamente “exótico” para o adolescente Wes (ou Vasily, seu nome à época).

“James era um fundamentalista cristão realmente conservador. Ele era um convertido ortodoxo russo e queria uma esposa ortodoxa russa. Minha mãe era tecnicamente ortodoxa russa, mas ela não era conservadora ou fundamentalista”, diz Wes.

Ele fazia todo o possível para evitar o contato com James, tentando não incomodá-lo. Quando fez 18 anos, se mudou e conseguiu um emprego. Ainda assim, continuou a esconder sua sexualidade de James.

O relacionamento de Elena com James permaneceu difícil, mas lentamente as coisas começaram a mudar.

Num Halloween, James comprou uma abóbora para esculpir e filmes de terror para assistir — ele sempre criticara o Halloween como feriado de Satanás. Mas James tinha uma surpresa muito maior para apresentar.

Uma noite, Wes recebeu um telefonema de sua mãe e ela estava chorando.

“Não um choro triste, apenas um choro catártico”, diz Wes. “Ela me disse que chegou em casa e encontrou uma mulher estranha sentada no sofá e, depois de olhar para a mulher por um tempo, reconheceu James”.

A mulher no sofá se apresentou a Elena como Janis. Ela explicou que havia lutado com o sexo que lhe fora atribuído durante toda a vida. Ela até se converteu à ortodoxia russa porque achava que isso ajudaria. Casar-se com uma mulher russa fazia parte do mesmo plano, embora Elena — “a mulher menos conservadora da Rússia”, como Wes gosta de chamá-la — não fosse o tipo de pessoa que Janis originalmente tinha em mente.

Enquanto Janis, a princípio, ficou frustrada com a mente aberta de Elena, ela também a ajudou a criar a coragem de se assumir como uma mulher trans.

“Não posso dizer que foi fácil descobrir que meu marido era uma mulher. Em certo sentido, ele foi o primeiro homem de verdade na minha vida — o homem com quem eu podia contar. Mas não era sobre mim. Janis precisava de apoio e amor incondicional”, diz Elena no filme Little Potato, que Wes fez sobre suas experiências. LEIA A HISTÓRIA COMPLETA NA BBC

One thought on “‘Eu odiava meu padrasto homofóbico — até o dia em que ele saiu do armário’

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