Goiano recebe depósito de R$ 18 milhões em sua conta por engano, compra Porsche e está sendo processado pelo banco

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Uma falha no sistema do banco fez com que, entre os dias 26 e 27 de dezembro, Guilherme Moreira, recebesse os valores equivocados

O que você faria se, ao tirar seu saldo bancário, percebesse que lá foram depositados R$ 18 milhões por engano? Um empresário de Goiânia comprou um Porsche avaliado em R$ 280 mil. O carro foi apreendido nessa quinta-feira (25/4) e, por meio de nota, o acusado afirmou que não houve apropriação indevida.

De acordo com a Polícia Civil, uma falha no sistema do banco Safra S/A fez com que, entre os dias 26 e 27 de dezembro, Guilherme Moreira, que é dono de um restaurante na capital goiana, recebesse os valores equivocados. A polícia informou que, assim que deu-se conta do erro, o suspeito comprou o veículo e desviou cerca de R$ 1,1 milhão para outras contas.

Porsche comprado com dinheiro depositado por engano é apreendido em Goiânia — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Segundo o empresário, a operação trata-se de um “equívoco jurídico”. Isso porque, explicou ele, ao perceber o depósito, o banco bloqueou suas contas, o que “impossibilitou a devolução imediata do valor que já havia sido retirado para pagamento diversos, inclusive para a quitação do carro”.

Ele também garantiu que, após ter as contas desbloqueadas, tentou acordo com o banco, “o que não foi concretizado devido a não concordância com as taxas de juros e multas impostas. Com isso, a solução está sendo buscada na Justiça”. Guilherme não foi preso, porém está sendo investigado por apropriação de coisa havida por erro e por lavagem de dinheiro.

O empresário que adquiriu um veículo de luxo, um Porsche modelo Boxster 2.7, ano 2014, de acordo com a Polícia Civil, com dinheiro transferido para a conta de uma empresa dele por uma falha bancária tentou enviar parte do valor de R$ 18,66 milhões para o pai e outros endereços financeiros.
As investigações apontam que, ao perceber o elevado valor na conta, ainda no dia 27 de dezembro de 2018, Guilherme Moreira apropriou-se de parte do montante e tentou realizar transferências eletrônicas por meio do internet banking, na tentativa de dar aparência lícita a mais de R$ 1,12 milhão. As transferências foram realizadas para o pai dele, outra conta do restaurante e para outras empresas. Todavia, estas movimentações não foram concretizadas, pois foi conseguido o bloqueio das operações.

Segundo a polícia, o veículo foi adquirido em nome de uma amiga do empresário. O carro estava no condomínio Granville, na Região Leste da cidade, na residência do empresário. O homem é proprietário do restaurante Bienna, que funciona no Edifício Órion, no Setor Marista, na capital.

De acordo com as investigações, entre os dias 26 e 27 de dezembro de 2018, por uma falha no sistema de conciliação de vendas com cartões de crédito/débito de um banco, ocorreram créditos indevidos em contas correntes de centenas de clientes em todo o Brasil. Um destes clientes foi a empresa Estevam Carnes Nobres e Exóticas Eireli, que viu creditada em sua conta mais de R$ 18,66 milhões.

O delegado responsável pelo caso, Kleber Toledo, explica que as transferências para a conta do suspeito ocorreram nos dias 26 e 27 de dezembro e, no dia 24 havia apenas R$27 mil de saldo bancário. “Não tinha saldo suficiente pra quitar o total de transferência que ele fez”, explica Toledo, que considera que “o dinheiro entrou indevidamente e ele (o empresário) tentou utilizar”. Para o delegado, as ações configuram os crimes de apropriação de coisa havida por erro (Art.169 do Código Penal) e lavagem de dinheiro. Uma vez que ele tentou dissipar valores, tornando-os de origem lícita, considera Toledo.

Até esta quinta-feira, o empresário ainda não havia sido ouvido pela polícia. De acordo com o delegado, no início da investigação tentou-se a intimação, mas advogado do dono do restaurante pediu o adiamento para outra data, mas Moreira não compareceu ao novo agendamento “Como a oitiva dele não é necessária no início da investigação, tocou-se a apuração e identificou-se que o carro foi adquirido com o dinheiro que entrou na conta de forma indevida”, explica o delegado Kleber Toledo.

Defesa


O advogado Bruno Pena, responsável pela defesa do empresário, afirma que antes de o banco abrir uma ação cível em são Paulo contra o cliente, o mesmo já havia entrado em contato com a instituição financeira, informando que o dinheiro havia sido depositado indevidamente e, inclusive, informou o banco sobre todos os depósitos que ele havia feito. Foram cobrados juros como de um empréstimo, mas o empresário não concordou com isso, pois não solicitou empréstimo ao banco.

“Houve um equívoco por parte da polícia, pois o cliente abriu um processo no dia 9 de janeiro deste ano para a devolução do valor depositado com correções monetárias, antes mesmo de o banco abrir o processo contra meu cliente (18/1)”. O advogado também afirma que os mais de R$ 18 milhões foram depositados na conta da empresa, que tem movimentações diárias e os funcionários avisaram que havia um valor disponível para quitar as dívidas, por isso foi utilizado. Só depois se percebeu que o montante não era do restaurante, diz o defensor. ()

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