Elza Ribeiro Micharski foi morta com uma barra de ferro e foi atropelada logo em seguida

A morte de uma jovem de 22 anos no último domingo (5) chocou os moradores da cidade de São Mateus do Sul (122 quilômetros de Ponta Grossa). O crime aconteceu na Praça do Olho, na Vila Pinheirinho, e causa espanto pela crueldade do autor do feminicídio. Elza Ribeiro Micharski foi morta com golpes de barra de ferro e, em seguida, foi atropelada várias vezes. Ela sofreu lesões na cabeça e no abdômen e não resistiu aos ferimentos.

Ele fugiu do local, mas foi preso pela Polícia Militar pouco tempo depois. A Polícia Civil informou que eles foram casados por sete anos e o rapaz não aceitava o fim do relacionamento, o que teria motivado o crime. Inclusive, a vítima já tinha registrado vários boletins de ocorrência por ameaça e violência doméstica.

A vítima implorou por ajuda na Delegacia de São Mateus do Sul (a 150 km de Curitiba) diversas vezes. Ela tinha medo de morrer. O medo vinha das dezenas de ameaças feitas pelo ex-marido, Alisson Ferraz Barbosa, de 24 anos. Mesmo com três medidas protetivas descumpridas e três inquéritos policiais abertos nada impediu que o pior acontecesse. As afirmações acima, de que Elza foi morta em razão de falhas da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário, foram feitas nesta sexta-feira (10) pelo advogado Igor José Ogar, contratado pela família da vítima.

Elza foi morta pelo ex-marido no último domingo – Reprodução

“Nada era feito pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. Elza registrou vários Boletins de ocorrência, foi várias vezes implorar por ajuda na delegacia, disse que o ex-marido descumpria todas as medidas protetivas, chegou a dizer na delegacia que sabia que ia morrer e nada foi feito. Ele se aproximava dela, fazia ameaças, descumpria as medidas protetivas e ninguém via a necessidade sequer de estender a proteção, quem dirá de pedir a prisão dele. O resultado foi a morte de Elza, que morreu sem poder contar com a ajuda do Estado”, desabafou o advogado.

Elza foi morta na Praça do Olho, no centro de São Mateus do Sul. Ela foi morta com golpes de barra de ferro e, em seguida, atropelada várias vezes. Sofreu lesões na cabeça e no abdômen e não resistiu aos ferimentos. Alisson foi preso em flagrante, logo em seguida, na casa dos pais.

“Tive acesso ao vídeo com o depoimento dele e fica claro que não há nenhum arrependimento. Ele conta que a golpeou com uma barra de ferro e passou por cima da cabeça dela duas vezes com o carro. Fala ainda que apenas cumpriu o que já havia prometido mais de 10 vezes”, relatou o advogado.

Segundo Ogar, a família de Elza espera que haja justiça. “A família de Elza espera justiça não só com relação ao Alisson, mas também contra o Estado, que foi omisso e negligente. Está provado em todo o processo a total ineficiência do Estado”, completou.

Elza e Alisson foram casados por sete anos e o rapaz não aceitava o fim do relacionamento, o que teria motivado o crime.

O que diz o Ministério Público

Em nota, o MP-PR informou que não é correta a informação de que não foi feito o pedido de prisão preventiva do acusado. Diz o MP:

Sobre o caso de feminicídio ocorrido em São Mateus do Sul no último domingo, 5 de maio, o Ministério Público do Paraná esclarece:

Não procede a informação de que o Ministério Público do Paraná posicionou-se contrariamente à decretação de prisão preventiva do acusado.

Em relação à vítima, havia medida protetiva vigente desde outubro de 2018, cuja prorrogação foi requerida pelo Ministério Público do Paraná em fevereiro deste ano e concedida pela Justiça. A prorrogação da medida foi requerida ao Juízo pela Promotoria de Justiça de São Mateus do Sul após a vítima assim solicitar.

Antes disso, em dezembro de 2018, houve arquivamento de notícia de descumprimento de medida protetiva pela Justiça. Tal decisão, no entanto, foi adotada diretamente pelo Juízo da Comarca de São Mateus do Sul, sem ter sido o processo previamente encaminhado para manifestação do Ministério Público.”, diz a nota.

O que diz a Polícia Civil e o Poder Judiciário

A rádio curitibana Banda B tenta contato para que a Polícia Civil e o Poder Judiciário citados se manifestem.