Justiça paulista ignora vídeo que mostra acusado em outro local na hora do crime

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Prisão foi mantida mesmo com a apresentação das imagens

Em dezembro de 2018, Gabriel Rubio de Oliveira, de 19 anos, e Jhonatan Vinícius da Silva Nobre, 20, foram presos e acusados de roubar um carro na zona leste de São Paulo. A família de Gabriel apresentou o vídeo de uma câmera de segurança que mostra o rapaz voltando de um supermercado no mesmo horário do crime, a uma distância de 2,5 km do local do assalto. A Justiça decidiu mantê-lo preso.

As imagens foram anexadas ao recurso junto do laudo do perito que as analisou e atestou que são verdadeiras. Em maio, a procuradora de Justiça Eliana Maluf Sanseverino declarou que o laudo é “imprestável” porque não foi realizado pelo Instituto de Criminalística.

No julgamento realizado nesta quinta-feira (15), o procurador de Justiça Maurício Antonio Ribeiro Lopes concordou com ela. Ele argumentou que, em uma imagem, Gabriel apareceria de chinelo, e em outra, de tênis.

A mãe de Gabriel, Silvia Rubio Lopes, conta que no dia do crime ele foi ao shopping com a namorada, passou em um lugar para consertar o celular, na padaria e no supermercado. Chegando em casa, mostrou ao irmão o chinelo que havia comprado. A Polícia Militar o conduziu à delegacia duas horas depois. Foi o padrasto foi quem reuniu as imagens apresentadas no recurso.

“Eu estava deitado na cama quando ele chegou do supermercado. Dez minutos depois de ir para a casa da sogra, me veio a namorada correndo chorando”, disse o vendedor Ailton Souza Lopes ao UOL.

A família de Jhonatan afirma que o jovem estava empinando pipa na rua quando foi enquadrado pela polícia. “O Gabriel saiu para ver o que estava acontecendo e os policiais também chamaram ele para uma averiguação”, conta Andrea Gomes da Silva, mãe de Jhonatan.

Imagens mostram o rapaz a 2,5km de distância do local do crime

O advogado de defesa, Fernando Henrique dos Santos, aponta que, caso os policiais passassem mais 20 minutos no bairro procurando os suspeitos, “encontrariam mais cinco ou seis com as mesmas características: jovens, franzinos, um negro e outro com luzes no cabelo”.

Com unanimidade, os desembargadores Hermann Herschander, Walter da Silva e Marco Antonio de Lorenzi, da 14ª Câmara de Direito Criminal, acataram a posição da Procuradoria.

O perito que analisou as imagens afirma que eles cometem um erro ao desconsiderar o vídeo como prova: “Foi tudo analisado com apreço. Os desembargadores erraram. E a perícia particular só é feita quando a perícia criminal não é feita. E a perícia criminal não costuma ser feita no Brasil.”

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