Médicos já são 20% dos casos de Covid-19 em Portugal, diz entidade; governo contesta números

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O presidente do Sindicato Independente dos Médicos, Dr. Roque da Cunha, disse que há mais de 150 médicos em quarentena

A Ordem dos Médicos de Portugal afirmou, na manhã da última segunda-feira (17), que pelo menos 20% de todos os infectados pelo novo coronavírus no país são médicos. A entidade chamou a atenção para a falta de equipamentos de proteção para os profissionais portugueses.

Na última atualização da Direção-Geral de Saúde, Portugal tinha 448 casos confirmados do novo coronavírus. O país teve, na última segunda-feira (16), o primeiro óbito atribuído à Covid-19: um paciente de 80 anos com doença pulmonar crônica.

“Esta falta de equipamentos de proteção individual para profissionais está a ser o calcanhar de Aquiles no combate ao novo coronavírus. Arriscamo-nos a que muitos médicos e profissionais de saúde fiquem doentes o que, para além do drama pessoal e familiar, significa não termos os médicos e profissionais necessários para tratar dos doentes enquanto atingimos o pico da epidemia. Se queremos ser bem-sucedidos temos de seguir o exemplo de Macau e não de Itália”, afirmou o Dr. Miguel Guimarães, bastonário da entidade.

Por meio do secretário de Estado da Saúde, António Sales, o governo de Portugal contestou as informações da Ordem e afirmou que apenas 18 médicos foram diagnosticados com Covid-19 no país.

Na segunda-feira, uma avaliação do Sindicato Indepentente dos Médicos (SIM) indicava pelo menos 50 médicos portugueses infectados pelo SARS-CoV-2. Um número mais do que duas vezes maior do que o divulgado pelo governo.

Em entrevista à agência de notícias Lusa, o presidente do Sindicato Independente dos Médicos, Dr. Roque da Cunha, disse que há mais de 150 médicos em quarentena.

O dirigente sindical também pediu ao governo mais equipamentos de proteção.

“A questão não é onde faltam equipamentos de proteção, a questão é onde existe esta proteção. Não há equipamentos em praticamente lado nenhum. Em Santa Maria, um hospital de referência em Lisboa, por exemplo, havia ontem internos a tratar de problemas de ventilação sem terem uma máscara para colocar no rosto, nem sequer das cirúrgicas”, afirmou o Dr. Roque da Cunha.

Em declarações à imprensa, a ministra da Saúde de Portugal, Marta Temido, reconheceu dificuldades em repor os estoques de máscaras de proteção em alguns pontos do país, mas disse que haveria um reforço na entrega de material de proteção aos profissionais de saúde.

Em entrevista à radio Renascença, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, afirmou que há uma falta generalizada de equipamentos de segurança.

“Há quem leve óculos de natação, máscaras de mergulho, luvas, batas”, disse.

No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), diante da falta de equipamento adequado, a instituição chegou a adaptar macacões de pintor para distribuir aos profissionais na linha de frente das urgências.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Miguel Guimarães, pediu que os profissionais de saúde reportem as falhas.

“Exijam trabalhar devidamente protegidos, por si, pelos doentes e por todos os portugueses”, afirmou.

Via Medscape Brasil

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