“Mulheres veem pornografia como algo mais funcional”, afirma diretora de canais eróticos

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Um dado interessante: dos 24 filmes já lançados pelo selo, no ano passado, dez deles tiveram o seu roteiro voltado para as mulheres

Na última semana, o mundo do pornô virou notícia – mas não do jeito que você imagina. Isso porque foi anunciado que Cinthia Fajardo seria a nova responsável pelos canais eróticos da Playboy/Globosat. É a primeira vez que isso acontece. 

Cinthia entrou na Playboy do Brasil em 2011, como gerente de marketing, e conta ao Yahoo que nunca sentiu desconfortos em, desde o começo, lidar com conteúdo adulto. “O ambiente da Playboy do Brasil sempre facilitou muito a nossa rotina, pois falamos sobre pornografia de forma natural, afinal é o nosso trabalho e deve ser tratado como tal”, explica ela. 

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Como em todo trabalho, a agora diretora-geral encontrou dificuldades ao longo do caminho. A principal, foi colaborar com uma área que foi construída e é mantida pelo público masculino. “Sabemos que existem muitas mulheres que falam sobre sexo e que gostam de pornô, então estamos trabalhando para atender também essa demanda de mercado”, explica. 

Acredite se quiser, no escritório da Playboy do Brasil, as mulheres são e sempre foram maioria, e, de acordo com ela, são todas muito bem resolvidas quando o assunto é sexo. Tanto que um dos maiores projetos ali desenvolvidos é o Sexy Hot Produções, um selo de produção de filmes originais e exclusivos, com histórias mais críveis, que atendem também as expectativas femininas – além de colocá-las em posições mais empoderadas em cena. “Estamos cada vez mais atentos a cadeia de produção desses filmes, visando sempre o bem-estar e o cuidado com a equipe, principalmente com as atrizes”, explica.

Um dado interessante: dos 24 filmes já lançados pelo selo, no ano passado, dez deles tiveram o seu roteiro voltado para as mulheres. “O filme ‘Quem Manda Sou Eu’, por exemplo, traz a história de Regina, uma diretora de uma multinacional, firme e empoderada, acostumada a mandar em todos, inclusive nos homens. Já ‘Safada’, foi baseada em uma história real sobre as aventuras sexuais da escritora erótica, Nalini Narayan. O longa retratou três experiências vividas pela autora e que são contadas no livro que leva o seu nome. Outros sete filmes também foram pensados exclusivamente para casais, consequentemente também para o público feminino”, diz.

Outro filme, lançado em 2018 e chamado ‘O Encontro’, foi um ponto importante nessa revisão do papel do pornô e para quem ele é destinado. Feito em parceria com a produtora XPlastic, ele foi 90% elaborado por mulheres, que comandaram da equipe de fotografia, à direção e maquiagem. 

Inovação no pornô? Existe!

Cinthia explica que daqui para frente o seu desafio é manter o espírito vanguardista que impera na indústria pornô. Apesar de ser extremamente polêmica, ela explica que o setor sempre revolucionou o mercado e que o seu desafio, agora, é continuar inovando e atendendo as demandas do consumidor de conteúdo adulto. 

E tem dado resultado. Segundo um estudo realizado pela Mind Miners com 500 pessoas, entre homens e mulheres, o nível de aceitação dos conteúdos feitos pela Sexy Hot Produções chegou em 96%. O diferencial? Cenas, atores e histórias mais realistas, que deixam a fantasia mais próxima do público. “Em 2020, vamos dar continuidade ao projeto com os lançamentos e temáticas diferenciadas”, explica. 

Outro desafio, segundo ela, é otimizar o uso do portal Sexy Hot, deixando a experiência cada vez mais personalizada e incentivando o usuário a optar por produções de maior qualidade. “O objetivo é ajudar os assinantes a encontrar o conteúdo mais adequado e específico para cada momento de consumo”, explica.

Mais um ponto importante: promover o consumo legal e responsável de pornô, desincentivando a pornografia ilegal. Para isso, existem grupos no WhatsApp e Telegram, os chamados ‘Grupo da Pelada’, em que dissemina trechos de filmes e outros conteúdos para estimular essa nova relação com o pornô.  

Fora a busca por estimular a criatividade fora do mercado. No ano passado, aconteceu a primeira edição do Sexy Hot Produções por Universitários, que estimulou estudantes de comunicação de todo país a darem ideias inovadoras, com temáticas originais, para o canal. O filme vencedor foi ao ar em outubro de 2019 e, sim, foi escrito por uma mulher. 

Mulher e pornografia dá match!

Para Cinthia, assumir a direção dos canais eróticos não significa apenas um sucesso pessoal. “Para mim, significa mostrar que as mulheres estão cada vez mais fortes, mais modernas e que podem atuar em qualquer segmento. Tenho orgulho de ser porta voz das nossas marcas, pois tenho certeza que isso aproxima o público feminino de nós. 

Segundo ela, existe, sim, a preocupação de mudar a cultura de objetificação da mulher das produções exibidas e produzidas pelos canais Playboy / Globosat. “Não conseguimos controlar toda a indústria, mas tentamos influenciar da melhor maneira que conseguimos. Isso é feito através do Sexy Hot Produções, da nossa relação com o elenco, entre outros”, conta.

Um estudo feito pela Quantas Pesquisas e Estudos de Mercado, a pedido do canal, demonstra que, hoje, tanto homens quanto mulheres estão falando de pornografia de maneira igual – o que significa que a temática já faz parte do dia a dia das pessoas. Um dos destaques, aliás, é o consumo de conteúdo adulto pelas mulheres. 

“Elas não consomem pornografia com a mesma frequência e intensidade que os homens, porém veem a pornografia como algo mais funcional, para excitar, acalorar a preliminar e aprender coisas novas. Diante disso, queremos nos aproximar cada vez mais do público feminino, sem deixar de levar em consideração os pedidos e preferências do público majoritariamente masculino”, diz.

Já é, inclusive, possível ver como essas mudanças têm afetado o mercado de forma positiva. No ano passado, o Prêmio Sexy Hot teve, pela primeira vez, uma mulher no comando da apresentação. Natália Klein, escritora, roteirista e comediante, foi responsável por apresentar a sexta edição do prêmio, considerado o Oscar do Pornô no Brasil. No ano anterior, o mesmo prêmio contou com duas mulheres entre as finalistas na categoria Melhor Direção – e uma delas saiu vitoriosa. 

“Ter em toda a cadeia/indústria pornô mulheres interessadas e engajadas com o tema é sempre muito bom para o negócio, pois renova esse olhar masculino nos conteúdos adultos”, finaliza. Via Yahoo

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