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Regional

‘Não havia vidro na marmita’ diz delegado sobre denúncia de imigrante em Vilhena, RO

Caso foi registrado em abril deste ano. Investigações apontam que estrangeiro pode ter confundido sal grosso com vidro

A Polícia Civil concluiu que não havia pedaços de vidro na marmita recebida por um imigrante colombiano, em abril deste ano, em Vilhena (RO), a 700 quilômetros de Porto Velho. A resolução do inquérito foi divulgada em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (6).

No dia do registro, o imigrante Espinosa Renteria, de 28 anos, fazia malabarismo em um semáforo, no centro da cidade. Ele contou à Polícia Militar (PM) que havia saído da Colômbia, estava com destino à Argentina e fazia malabares para conseguir dinheiro para comida.

Durante o trabalho, Espinosa ganhou uma marmita do pastor evangélico Ivan da Silva Lima, de 41 anos. Durante o almoço, o estrangeiro percebeu que havia algo estranho na comida e denunciou o caso para a PM, dizendo que eram cacos de vidro.

O Corpo de Bombeiros foi chamado e o imigrante levado para o Hospital Regional. Depois disso, o caso foi encaminhado para a Polícia Civil, que começou as investigações.

Em quase dois meses, a Polícia Civil reuniu vários elementos que provaram que não havia cacos de vidro no marmitex. O delegado Núbio Lopes de Oliveira explicou que os exames realizados no hospital não apontaram nada de anormal no estômago do imigrante.

Delegado Núbio falou sobre o caso em coletiva de imprensa — Foto: Eliete Marques/G1
Delegado Núbio falou sobre o caso em coletiva de imprensa — Foto: Eliete Marques/G1

Além disso, a médica legista também não constatou nenhuma irregularidade no aparelho digestivo de Espinosa. Já o laudo da perícia realizada na marmita mostrou uma observação que pode ter causado toda a confusão, segundo o delegado.

“O perito concluiu que não tinha absolutamente nada de errado com aquele alimento, mas fez uma observação interessante. Na marmita tinha carne de churrasco, e o perito detectou grãos de sal grosso. E como os grãos são translúcidos, o Espinosa pode ter confundido. Ele está fora do país, não conhece ninguém e ficou desesperado”, ressalta Oliveira.

O delegado ainda ressaltou que, ao saber do ocorrido, o pastor Ivan compareceu na delegacia e se colocou à disposição para o esclarecimento dos fatos. O inquérito foi concluído nesta semana e encaminhado ao Judiciário.

“Não havia cacos de vidro na marmita. Foram vários os fatores que nos levam a ter certeza absoluta de que Espinosa não foi vítima de crime. Houve um equivoco em face, provavelmente, do sal grosso que estava na comida. Não sabemos como são os costumes do país dele”, enfatiza o delegado.

A advogada do pastor, Pamela Abdalla, também esteve na coletiva e ressaltou a repercussão nacional do caso. Ela destacou que o cliente mora em Vilhena desde 1984, é casado há 22 anos e tem dois filhos.

“Esse caso trouxe vários transtornos para a vida do meu cliente. Mas graças a Deus ele tem uma família estruturada, amigos e membros da igreja que conhecem ele. Então, nós tínhamos certeza que essa ação não era uma ação criminosa desde o princípio”, salientou.

No dia do registro, o pastor comprou marmitas para a família e uma delas foi doada ao imigrante. No almoço do pastor, nenhuma anormalidade foi percebida nas marmitas. O restaurante também não recebeu nenhuma reclamação naquele dia ou nos dias seguintes, segundo as investigações da polícia.

“O Ivan ficou cinco dias em casa, porque leu vários comentários na internet, de xingamentos, comentários maldosos, que faziam mal a ele. Ele ficou cinco dias em casa com medo de alguma retaliação. Mas ele pede para que as pessoas não desistam de ajudar por causa disso. Existem muitas pessoas que precisam de ajuda”, conclui a advogada.

O imigrante não foi mais encontrado na cidade, segundo a Polícia Civil.

Do G1/VHA

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria e assessoria.
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