Número de estelionatos cresce no Brasil; confira 10 golpes mais usados

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Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), entre os meses de janeiro a maio, o número de registros de estelionato feitos pela Polícia Civil passou de 13.424, em 2018, para 15.976, no mesmo período deste ano

No dia 4 de maio, a aposentada Márcia Albernaz, de 55 anos, deixou um recado em uma rede social: “Enalteço a NOBRE atitude – nos dias de hoje – dos colegas que, imediatamente, sem muito pensar, acabaram fazendo depósitos em favor de um falsário, achando que estavam me ajudando”. Márcia tinha sido vítima de um golpe pelo WhatsApp. Um estelionatário se apossou de seu perfil e pediu dinheiro emprestado aos amigos dela. A aposentada, que registrou boletim de ocorrência, engrossa as estatísticas de estelionato no Estado do Rio. Os casos aumentaram 19% em 2019, comparados ao ano anterior.Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), entre os meses de janeiro a maio, o número de registros de estelionato feitos pela Polícia Civil passou de 13.424, em 2018, para 15.976, no mesmo período deste ano. No caso de Márcia, dois de seus amigos caíram no golpe. Eles fizeram depósito com valores em torno de R$ 2 mil. Ela chegou a anunciar que faria o ressarcimento de quem comprovasse ter feito o depósito.O estelionatário também usou as senhas dos cartões bancários que Márcia havia deixado registrado em conversa por WhatsApp. Os estelionatários fizeram compras no valor de R$ 17 mil: “Uma amiga ligou dizendo que tinha feito o depósito. Tive vontade de chorar. Fiquei muito abalada”.

Já o administrador X., de 46 anos, caiu em um golpe que se iniciou com a anúncio de carro por meio de um site de vendas. O estelionatário usou dados de um carro de verdade, simulou perfis nas redes sociais e enganou de uma só vez o vendedor e o comprador do veículo. A vítima, que pretendia comprar o carro, acabou fazendo um depósito de R$ 39 mil na conta de um laranja indicado pelo estelionatário.

“Quando percebi o golpe, a transferência já tinha sido feita. O banco ainda bloqueou R$ 10 mil do total. Usando um outro chip de telefone, vi que o estelionatário continuava atuando. Me apresentei, ele debochou mandando uma foto com bebidas e piscina”, contou o administrador. Quem também acabou frustrada por cair em um golpe foi a professora Thaiene Escorza, de 28 anos. Grávida, ela contratou pela internet uma empresa para fazer a decoração do chá de bebê.O fornecedor pediu R$ 80,00 de depósito antecipado, mas não apareceu com o produto: “Tive que pegar a mesa da minha casa e improvisar”, contou a professora. De acordo com dados do ISP, dos registros de estelionatos de janeiro a maio, na Região Metropolitana, 56,52% (9.029) foram no Rio.

A delegada Talita Carvalho, da 12ª DP (Copacabana), contabilizou 20 casos de um golpe que está sendo praticado por falsos taxistas. Eles usam máquinas de cartão adulteradas. Segundo a delegada, os motoristas usam aparelhos que ocultam o valor correto cobrado. Corridas curtas de R$ 8,00, por exemplo, são debitadas por até R$ 3 mil.

“Na hora de digitar o valor na máquina, a vítima vai conferir e verifica que a máquina está tampada, quebrada ou mofada. Com isso, não consegue ver o valor real da corrida. O falso taxista diz para o cliente que a máquina está com problemas”, conta a delegada, recomendando que o passageiro desconfie se o taxista insistir em receber pelo cartão e tiver dificuldade em ver o valor no visor da máquina.

Na Zona Norte, em janeiro, dois homens foram presos por agentes da 22ª DP (Penha). Eles foram autuados pelos crimes de estelionato, organização criminosa e falsidade ideológica. Segundo o delegado Fabrício Oliveira, da 22ª DP, a quadrilha utilizava dados de empresas idôneas para fazer compras pela internet. Após receberem os produtos adquiridos com as informações falsas, eles revendiam os itens no mercado negro. “Esses estelionatários vivem de praticar pequenos golpes. Como geralmente não ficam presos, um mesmo estelionatário é identificado até 15 vezes pela polícia”, ressalta o delegado.Especialista orienta como não cair nas armadilhasCom golpes cada vez mais sofisticados, é preciso estar atento para não cair em uma cilada. Segundo a advogada Rosa Rodrigues, especialista em defesa do consumidor, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e Trabalhador, apesar dos casos serem diferentes, é possível tomar alguns cuidados.

Segundo ela, quando o negócio for realizado pela internet, uma sugestão é conferir a reputação do comprador ou vendedor. O objetivo é ver se já fizeram outros negócios no mesmo site e como foram avaliados. É preciso estar alerta, também, a e-mails falsos de golpistas que podem se passar por clientes, representantes de banco ou de serviços de proteção ao consumidor.”Desconfie se um produto está sendo anunciado por R$ 300, R$ 400, mais barato do que dos outros anunciantes. Seduzido pelo preço, alguns clientes se esquecem de checar a idoneidade do vendedor”, disse a especialista.

Rosa Rodrigues lembra que a maioria dos casos de fraudes inclui links com aparência legítima, mas que direcionam para sites falsos.É necessário verificar a URL do site que aparece no link do e-mail para ter certeza de que é o mesmo site que você está entrando. A advogada orienta, ainda, que as vítimas devem procurar as delegacias para registar os golpes. “É possível entrar com uma ação, mas ser ressarcido é bem complicado. Geralmente, os valores são depositados em contas de terceiros usados pelos golpistas. Os casos, na maioria das vezes, são julgados à revelia. A pessoa não comparece às audiências e é difícil o bloqueio de seus bens”.

Os top 10

– WhatsApp clonado para pedir dinheiro.

– Clientes, compradores, representantes de banco ou serviços falsos na internet.

 Falsos taxistas enganam passageiros.

– Motoristas de aplicativos fazem sequestro relâmpago.
– Apropriação de documentos usados em abertura de conta bancária digital.
– Falsa promessa de tirar o nome do SPC e Serasa.
– Apropriação de base de clientes para uso por quadrilha de roubo de cargas.
– Promessa de falso emprego.
– Uso de site de relacionamento para pedir dinheiro.
– Compra de bilhete falso de loteria.

O Dia

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