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O que define um caso suspeito do novo coronavírus no Brasil?

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Alguns sintomas e outros critérios fazem os médicos suspeitarem de um caso de coronavírus. Conheça-os e veja como se confirma o diagnóstico

A definição de um caso suspeito do novo coronavírus, também chamado de Sars-Cov-2, foi ampliada recentemente pelo Ministério da Saúde, após a confirmação de 25 infecções registradas no Brasil, em diferentes estados, até o dia 9 de março de 2020. Então como saber agora o que é considerado um caso suspeito de Covid-19, a doença causada por esse vírus?

Há várias possibilidades. Com a declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde, uma é a do indivíduo que voltou de qualquer viagem internacional e, em até 14 dias, começou a apresentar febre e pelo menos um sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar ou engolir, congestão nasal, dor de garganta, coriza). Em outras palavras, viajantes que manifestarem esses sinais devem conversar com um médico ou ir a um posto de saúde para checar se é o novo coronavírus, e não uma gripe, por exemplo.

Além disso, quem teve contato próximo com alguma pessoa com suspeita ou confirmação de Covid-19 e que apresentou qualquer um dos sintomas descritos em até 14 dias precisa ser investigado. Mas o que define “contato próximo”? Confira:

  • Contato físico direto (um aperto de mãos, por exemplo)
  • Contato desprotegido com secreções infectadas
  • Ficar frente a frente por mais de 15 minutos com uma vítima do novo coronavírus, mesmo em ambiente aberto e ventilado
  • Estar em uma sala fechada por mais de 15 minutos e em uma distância a menos de 2 metros de alguém com Covid-19
  • Passageiro de uma aeronave sentado em um raio de até dois assentos, em qualquer direção, de um caso confirmado.

No dia 13 de março, o Ministério da Saúde anunciou que qualquer viajante, ao retornar, deve ficar em casa por sete dias. Mas atenção: isso não configura um caso suspeito. Trata-se de uma medida para conter a transmissão do vírus. Se ele apresentar sintomas, aí o cenário claramente muda.

E mais: se você vive na casa de uma pessoa com o Sars-Cov-2 — ou a frequenta bastante — e apresenta febre ou sintomas respiratórios em até 14 dias, vai precisar passar por uma avaliação. Aliás, esse cenário é considerado como um caso provável pelo Ministério da Saúde.

No dia 9 de março, o governo incluiu situações específicas em que mesmo um brasileiro que não viajou para o exterior pode se encaixar como um caso suspeito do novo coronavírus. A primeira é a do sujeito que vive em uma cidade com ao menos um episódio confirmado e que é internado por causa de uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — quando aqueles sintomas são tão intensos que exigem hospitalização. O profissional de saúde saberá dizer se há ou não casos confirmados no município.

A segunda é a do paciente que possui sinais leves de gripe e busca atendimento em uma das 114 Redes Sentinela do Ministério da Saúde (com prioridade para municípios com casos confirmados). Em resumo, são postos de saúde, policlínicas e hospitais que fazem um trabalho de verificar ativamente a intensidade de circulação de diferentes agentes infecciosos, como o influenza (que deflagra a gripe) e, agora, o novo coronavírus.

“Com essas medidas, podemos identificar alguns casos de coronavírus que poderiam passar despercebidos pela nossa vigilância. As testagens serão realizadas tanto na rede pública de saúde como na privada, que deverá seguir o protocolo do Ministério da Saúde”, afirma o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, à imprensa.

Como confirmar ou descartar um caso de coronavírus?

Uma vez que surge a suspeita, os médicos pedem exames específicos. Eles colhem amostras das vias aéreas do indivíduo e as mandam para laboratórios. Aí, os profissionais descobrem se a infecção foi causada pelo influenza, pelo Sars-Cov-2 ou mesmo por outros agentes.

Independentemente do inimigo que invadiu o organismo, é importante se manter hidratado, comer bem, repousar e evitar, dentro do possível, o contato com terceiros. No momento, pessoas com casos leves de Covid-19 são orientadas a ficarem isoladas em casa, onde são acompanhadas por experts. Nas situações mais graves, vão para hospitais.

Como diferenciar?

A doença que o vírus Sars-Cov-2 provoca, a covid-19, é uma infecção respiratória que começa com sintomas como febre e tosse seca e, ao fim de uma semana, pode provocar falta de ar. 

De acordo com uma análise da OMS baseada no estudo de cerca de 56 mil pacientes na China, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia), 14% têm sintomas graves (dificuldade em respirar e falta de ar) e 6%, quadros críticos (insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte).

Entre os sintomas apresentados pelos pacientes, os mais comuns são a febre (cerca de 88% dos casos), a tosse seca (quase 68%) e a fadiga (38%). A dificuldade de respirar aconteceu em quase 19% dos pacientes, enquanto sintomas como dor de garganta e dor de cabeça atingiram cerca de 13%. Já a diarreia foi um sintoma de apenas 4% das pessoas com o novo coronavírus.

No entanto, um levantamento com mais de 2 mil pacientes chineses publicado nesta semana na revista científica Pediatrics indica que os sintomas digestivos, como diarreia, vômitos e dores abdominais, apareciam com frequência em crianças infectadas pelo coronavírus.

Sintomas da covid-19

Mas, nessa época do ano, também é comum apresentar tosse, febre, dores na garganta e na cabeça e sensação de fadiga por causa dos vírus da influenza, que provocam as gripes comuns. 

De acordo com os especialistas, os sintomas devem ser monitorados e, caso permaneçam leves, podem ser tratados em casa. 

No entanto, é preciso ter especial atenção a idosos e pessoas com baixa imunidade, mais vulneráveis ao novo coronavírus, e consultar um médico em caso de dúvidas. 

“A gripe normalmente é a única que nos faz sentir dores musculares. E costuma durar entre três e cinco dias. Essas podem ser indicações de que se trata de um vírus comum”, disse à BBC Brasil Heloisa Ravagnani, presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal.

Sintomas da gripe comum

No caso do resfriado, os sintomas costumam ser ainda mais brandos e, em geral, apenas respiratórios — coriza, congestão nasal, tosse e dor de garganta, mas nem todos ocorrem ao mesmo tempo.

“Caso a pessoa esteja tossindo e tenha outros sintomas leves, não deve esquecer de usar máscara ao entrar em contato com outras pessoas e de higienizar bem as superfícies com as quais tiver contato. Ela pode não ter covid-19, mas, em um momento como esse, todo cuidado é bem-vindo”, diz a infectologista.

Sintomas do resfriado

‘Não é corona, é rinite’

Nos últimos dias, alérgicos têm se justificado nas redes sociais pela frequência de espirros, ou expressado confusão com os sintomas de rinite alérgica sazonal e da covid-19

Os comentários renderam memes como a frase “não é corona, é rinite”, que já virou até proposta de camiseta para os período de distanciamento social imposto pela pandemia.

As síndromes respiratórias alérgicas, comuns em períodos como outono e primavera, podem provocar coriza e congestão nasal, comuns a gripes, resfriados e à covid-19. Mas são marcadas normalmente por espirros, e dificilmente provocam tosse ou febre, explica Paulo Sergio Ramos.

Sintomas da rinite

“O importante é que as pessoas, mesmo sofrendo de alergia, resfriado ou gripe comum, mantenham a etiqueta respiratória. Ou seja, mantenham distância de 1 metro de outros espirrando ou tossindo; ao tossir ou espirrar, utilizem o antebraço ou um lenço, que deve ser descartado; e lavem sempre as mãos após tossir ou espirrar, para evitar disseminar outros vírus no ambiente”, alerta.

Seguir estas regras também é importante pelo fato de que, de acordo com o mais amplo estudo já feito até agora sobre o novo coronavírus, realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, 80% dos pacientes terão apenas sintomas leves.

No entanto, há evidências científicas de que até mesmo uma pessoa sem sintomas pode transmitir o vírus.

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria e assessoria.

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