‘Para matar, vocês são rápidos’: a tensa reunião em que a Vale recusou pedidos de vítimas da lama de Brumadinho

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Moradores pediram que a Vale assumisse dívidas de financiamento relativas a plantações destruídas, além de uma ajuda de custo mensal para quem ficou desempregado. Mas os funcionários da empresa disseram que não têm autonomia para atender às solicitações.

Gritos, lágrimas, trocas de ofensas e pedidos de reforço policial marcaram a assembleia em que representantes da Vale se recusaram, nesta terça-feira, a aceitar os pedidos de uma das principais comunidades afetadas pela lama da barragem da mineradora em Brumadinho (MG).

Mais de 400 pessoas que perderam parentes, casas, empregos, documentos e objetos pessoais acompanharam a reunião por quase quatro horas sob uma tenda no bairro do Parque da Cachoeira. Eles esperavam que a mineradora trouxesse respostas para uma série de demandas de urgência elaboradas por membros da comunidade e representantes de órgãos como o Ministério Público, a Defensoria Pública, igrejas e movimentos sociais.

Enquanto bebês choravam no colo de mães que não tinham onde se sentar (a mineradora disponibilizou cadeiras em número bem inferior ao de participantes) e idosos caminhavam com dificuldade pelo terreno de terra batida, três funcionários da Vale – Edvaldo Braga, Vítor Libânio e Humberto Pinheiro – diziam que “não tinham autonomia” para responder aos pedidos.

“Não temos condições de assumir responsabilidade sobre algo que não temos conhecimento. Precisamos entender a extensão deste problema. Ainda não temos informações suficientes para responder a estas solicitações”, repetiam os representantes da mineradora à plateia, 12 dias após a ruptura da barragem que deixou, segundo o corpo de bombeiros, 150 mortos, 182 pessoas desaparecidas e 103 desabrigadas.

Muitos moradores choravam ao ouvir as palavras dos funcionários da Vale. Na mesa que reunia as autoridades, os principais embates aconteceram entre o promotor do Ministério Público estadual André Sperling e Edvaldo Braga, executivo designado pela mineradora como principal porta-voz no bairro.

“Parem de picaretagem”, disse Sperling, aplaudido pelos moradores. “Não mintam e não usem respostas fáceis.”

Braga, de outro lado, dizia que já havia colocado a posição da empresa e pararia de repeti-la. “Lamento”, repetia.

O representante da mineradora chegou a dizer que “a Vale não tem nenhuma credibilidade, mas está trabalhando para reverter isso”.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA BBC.

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