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Polícia

Pediatra é preso por pedofilia no interior de SP; ele chegou a levar família das vítimas para fazer passeios

De acordo com as famílias o médico Renato Santos do Rio comprava remédios, deu celulares de presente para duas adolescentes de 12 e 13 anos e levava toda a família a passeios

A Polícia Civil de Biritiba Mirim prendeu um médico da rede pública do município por suspeita de pedofilia. Nos depoimentos, duas mães contaram a policiais que o médico se aproximou das famílias, chegando a dormir na casa de uma delas e levando os adolescentes a viagens, para abusar de três menores com idades que variam entre 12 e 13 anos.

De acordo com as famílias o médico Renato Santos do Rio, de 54 anos, comprava remédios, deu celulares de presente para duas vítimas e levava toda a família a passeios. Os depoimentos apontam que os abusos aconteciam inclusive em meio a brincadeiras.

O médico foi preso no dia 28 de maio, em Biritiba Mirim, e transferido para Mogi das Cruzes. Ele é investigado por estupro de vulnerável.

A Prefeitura de Biritiba informou que o médico atendia no Pronto Atendimento Irio Taino e que trabalha no município como concursado há 16 anos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não houve nenhuma denúncia anterior relacionada ao profissional.

De acordo com os depoimentos, em um dos episódios, uma menina acordou com a mão “melecada” dentro da bermuda do médico Renato Santos do Rio. De acordo com o boletim de ocorrência, em uma das situações o médico propôs uma brincadeira de “verdade ou desafio” e propôs um “selinho” entre duas adolescentes e fez carícias na perna de outra.

‘Amigo íntimo’

A primeira família a registrar o boletim de ocorrência procurou a Polícia Civil no início do mês de maio. Os pais de dois adolescentes, uma menina de 12 anos e um menino de 14, contaram que conheceram Renato Santos do Rio há mais de um ano, em um pronto atendimento da Prefeitura, durante uma consulta médica.

De acordo com o depoimento da família para a polícia, o médico demonstrou interesse em ajudá-los e, inclusive, forneceu seu número de celular particular.

Depois desta primeira consulta, a menina de 12 anos apresentou uma coceira no corpo e a família lembrou-se do médico. Em contato com ele, o suspeito informou, por telefone, que estava atendendo em outra unidade de saúde e que poderia receber a adolescente.

Depois de examiná-la e medicá-la, o médico se dispôs a comprar os remédios, já que a própria família informou que não tinha condições financeiras.

Assim, de acordo com o depoimento, Renato se aproximou com contatos por telefone, mensagens, se convidava a visitar a família e oferecia presentes para as crianças, como roupas, calçados e alimentos.

Os pais disseram para a polícia ainda que o médico deu dois celulares de presente, um para cada adolescente.

Segundo o boletim de ocorrência, além de frequentar a casa da família, Renato convidava as supostas vítimas para passear no cinema de Mogi das Cruzes, na praia em Bertioga e em Campos do Jordão. A mãe contou para a polícia que no começo teve dúvidas se deveria deixar os filhos com o médico, mas ele se mostrava convincente e interessado em ajudá-los.

Nos passeios até o litoral, os pais das crianças acompanharam o médico por duas vezes e ficaram hospedados na casa dele. Depois disso, os irmãos foram sozinhos e, em outra ocasião, contaram que duas meninas, de 12 e 13 anos, também de Biritiba Mirim, foram junto com o médico para a praia.

A família contou que as viagens para Campos do Jordão foram em duas ocasiões diferentes. Na primeira vez, as crianças apenas passaram o dia e retornaram, já na segunda vez, acompanhados do pai, eles dormiram em uma casa.

Ainda segundo os depoimentos, com a convivência, Renato se acostumou a dormir na casa da família e pegava até roupas emprestadas do pai das crianças. A família contou que, quando o médico dormia na casa, ficava em uma cama extra, perto de um beliche dos irmãos na sala.

De acordo com a polícia, em fevereiro deste ano, enquanto estava hospedado na casa da família, o médico comprou vinho e ofereceu lanche para a família. Depois de levar a todos para assistirem um filme em um cinema, em Mogi das Cruzes, Renato retornou para a casa deles e dormiu por lá, a convite das próprias crianças, que já estavam acostumadas com a presença do médico.

No boletim de ocorrência, o relato é que no dia seguinte, ao acordar por volta das 5h para trabalhar, o pai “encontrou sua filha na cozinha lavando as mãos e em estado de choque, quando ela mesma falou para o pai que havia acordado com o ‘tio Renato’ segurando a mão direita dela, porém dentro da bermuda que ele usava e, ao acordar, retirou rapidamente a mão, porém estava melecada”.

Depois disso, segundo o boletim de ocorrência, a menina foi se deitar com a mãe, pois continuava trêmula e dizia estar “com medo do tio Renato”.

De acordo com o boletim de ocorrência, o pai das crianças questionou o médico do que tinha acontecido e o encontrou já trocado. Segundo a família, ao alegar que a menina tinha mentido, ou sonhado, ele chegou a mostrar a roupa que usava anteriormente, mas o pai não viu nada. Porém, depois que o médico foi embora, o menino encontrou uma mancha úmida no lençol em que ele dormia e mostrou para a família.

Após o episódio, Renato não procurou mais a família. A mãe tentou conversar com as crianças para saber se outros episódios de abuso já tinham acontecido e a menina contou que, em novembro de 2018, “havia sonhado que o tio Renato havia tocado no corpo”.

Em maio, a família procurou a unidade do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e a menina foi encaminhada para o psicólogo. A família foi orientada a registrar um boletim de ocorrência.

Por fim, segundo os depoimentos, um dos menores teria revelado que o médico sempre insinuava brincadeiras de cunho sexual com o jogo “verdade ou desafio”. De acordo com o boletim de ocorrência, o pediatra havia comentado com os adolescentes que “como médico teria condição de ‘dopar’ qualquer se quisesse e que não perceberia nada quando acordasse”.

Os celulares que os adolescentes ganharam do médico foram apreendidos para que as mensagens trocadas sejam verificadas.

Médico Renato Santos do Rio, de 54 anos, foi preso por suspeita de pedofilia em Biritiba Mirim — Foto: Facebook/Reprodução

Passeios

A mãe de outra menina de 12 anos também procurou a polícia no final de maio para comunicar o envolvimento que o médico teve com a família. Depois de saber do que tinha acontecido com a outra família, a mãe procurou conversar com a filha, que costumava acompanhar os adolescentes nos passeios.

Para a polícia, a vítima contou que houve situações em que o médico passou a mão na perna dela enquanto dirigia e, em outra ocasião, enquanto estava no Clube de Campo, o médico propôs um “selinho” entre as duas meninas e ofereceu R$ 50 para cada uma. De acordo com o boletim de ocorrência, a menina disse ainda que o médico exigiu que ela também lhe desse um selinho e a menina disse que ficou constrangida com a aproximação.

A mãe, que já trabalhou com o médico, disse que nunca suspeitou do comportamento dele e que a aproximação com a família partiu dele. A menina de 12 anos se afastou dos passeios com o médico no início do ano porque a mãe estranhou que ele não gostava que o irmão mais velho, de 17 anos, acompanhasse os passeios.

Do G1/SP

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria e assessoria.
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