Preso por confusão no trânsito é encontrado enforcado em delegacia do Rio; família nega suicídio

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Caso aconteceu na 32ª DP (Taquara). Segundo familiares próximos do rapaz, “ele jamais cometeria suicídio”; delegado se recusou a falar sobre o caso

O autônomo Marcos Vinícius Gouvea Gomes, de 33 anos, foi encontrado morto na última quinta-feira, em uma cela da 32ª DP (Taquara), na Zona Oeste do Rio. A polícia informou que ele teria se enforcado com a própria camisa, presa na janela.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) comprovou a morte por “asfixia mecânica”. O companheiro de cela na delegacia , um jovem de 25 anos, estaria dormindo no momento em que o agente de plantão encontrou o corpo. A família de Marcos contesta a versão da polícia.

O rapaz, que morava com a família no Cachambi, teria se envolvido em uma confusão no trânsito após voltar de um encontro em Jacarepaguá. Descontrolado, ele arremessou objetos contra policiais e foi conduzido à delegacia mais próxima, onde acabou sendo preso. Marcos estaria sob efeito de álcool ou substância entorpecente, segundo os PM’s.

O delegado Ed Wilson da Silva Correa abriu uma investigação sumária para saber o que aconteceu. Pelo menos cinco policiais estavam no DP quando o corpo do rapaz foi encontrado, além do outro preso. Procurado na manhã deste domingo, o delegado não quis comentar o caso.

A assessoria de imprensa da Polícia se limitou a informar que a 32ª DP (Taquara) instaurou inquérito para apurar a morte de Marcos Vinícius e abriu também uma sindicância administrativa interna.

Para Jorge Gomes, 36 anos, a morte do irmão Marcos ainda precisa ser esclarecida. “Até agora não nos entregaram a camisa que disseram que ele usou para se enforcar. Também não passaram o protocolo do atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que eles relataram ter solicitado, e não nos passaram o depoimento do jovem que dividia a cela com ele naquele dia. Tudo muito estranho”, comenta.

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Arquivo pessoal – Marcos, o homem que foi encontrado morto

Outro ponto que intriga a família foi o fato de o corpo ter dado entrada no IML com a especificação de “morte domiciliar”. “Só depois da contestação eles modificaram o documento”, diz. Jorge confirma que o irmão vinha sofrendo com a dependência química e alcoolismo havia alguns anos. Ele tinha sido internado por 40 dias em uma clínica em Guapirimim no Estado do Rio, tendo sido liberado no dia 21 de agosto. 

Com relação à versão do suicídio , Jorge declara: “Fiquei muito nervoso com a notícia. Comecei a me preparar para vir para o Rio quando me acalmei, coloquei a cabeça no lugar e a comecei pensar sobre esta versão. Meu irmão jamais se mataria, ele tem uma filha de 3 anos que é o amor da vida dele. Mesmo que estivesse sob efeito de drogas, se por um segundo passasse o suicídio pela cabeça dele, ele se lembraria da filha e não faria. Como pode ter decidido cometer este ato tão drástico em tão pouco tempo?”. 

Mais informações sobre o caso do rapaz encontrado morto em uma delegacia do Rio de Janeiro devem ser divulgadas em breve. 

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