Repórter da Record é acusado de assediar pelo menos 12 mulheres; Gerson de Souza foi afastado

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Um dos repórteres mais experientes da Record, Gérson de Souza está sendo acusado de assediar sexualmente pelo menos 12 mulheres, a maioria delas colegas de Redação do Domingo Espetacular. Sete denúncias foram feitas na semana passada ao departamento de Recursos Humanos da emissora. O caso vem sendo detalhado pelo blog Notícias da TV, do jornalista Daniel Castro. Veja abaixo um resumo e CLIQUE AQUI para ler todas as matérias no blog.

Na quinta (23), sob orientação e com assistência jurídica da Record, duas delas registraram Boletim de Ocorrência por assédio sexual e difamação. E, no fim da tarde, mais cinco mulheres apresentaram queixa contra o profissional no RH. Souza nega as acusações e diz que são “revanchismo” de uma das denunciantes, uma produtora, repórter que atua atrás das câmeras na apuração de informações e agendamento de entrevistas e gravações. “Não houve nada, não assediei ninguém”, defende-se ele.

Uma das vítimas, a que Souza acusa de “revanchismo”(sua identidade será mantida em sigilo). Profissional premiada (tem até Prêmio Esso), ela conta que no último dia 8 estava sentada em sua mesa na Redação, na Barra Funda, em São Paulo. “Ele chegou por trás e me beijou na boca. Ficou mostrando a língua e saiu dizendo que roubado era mais gostoso. Foi nojento”, diz. A jornalista afirma que as abordagens inconvenientes “já vêm de muitos anos”, mas só decidiu denunciar Souza depois que o repórter começou a “difamá-la”. “Ele começou a gritar na Redação que eu era incompetente, que meu trabalho é uma bosta”, lembra a profissional.

Revanchismo

Souza confirma a discussão na Redação. “Eu reclamei com a chefia da qualidade das pautas dela, era roteiro que não tinha o nome do entrevistado, que não tinha informações”, diz. “Estou vendo isso como revanchismo. Tenho certeza de que ela está reagindo a uma observação que fiz sobre a qualidade do
serviço dela”, sustenta. O jornalista diz ser “de uma época em que se brincava [com mulheres]”, mas nega que tenha assediado as colegas. “Isso é um
grande mal-entendido”.

Afastamento e mais denúncias

Pelo menos duas mulheres que denunciaram o repórter Gérson de Souza à polícia por abuso sexual relataram a mesma abordagem: ele as acariciava em um dos braços enquanto dizia que estava pensando em suas nádegas. Na semana passada, o jornalista, um dos mais experientes da Record, foi acusado de assédio por 12 mulheres. A Polícia Civil, no entanto, só registrou três boletins de ocorrência.

“Ele chegava perto de você, pegava no braço e ficava alisando. Você ficava sem saber o que fazer, e ele falava: ‘Sabe por que é gostoso apertar essa parte do braço? Porque é como apertar a bunda. Ele alisava o meu braço pensando na minha bunda”, relatou, indignada, uma vítima ao Notícias da TV, sob a condição de não ter sua identidade revelada. “Não quero que dêem Google no meu nome e me vejam como vítima de assédio sexual”. Segundo a jornalista, que trabalhou com Souza durante cinco anos no Domingo Espetacular, a “brincadeira era recorrente”. “As pessoas em volta achavam engraçado, mas era tosco, constrangedor”, lembra ela.

Um dos boletins de ocorrência lavrados em uma delegacia de São Paulo por outra vítima, na última quinta-feira (23), relata situação idêntica. Souza teria apertado o braço da mulher, uma editora, e dito: “Que gostoso! Sabe por que é gostoso? É gostoso porque essa parte parece a bunda, lisinha, molinha”.
As abordagens do jornalista, que nega as acusações, incomodavam também quem não era vítima. Entre as 12 mulheres que procuraram a polícia, pelo menos três foram testemunhas de assédios ocorridos com outras pessoas, que não querem se expor.

“Ele era pegajoso, ficava acariciando, dando beijo de surpresa. Elas ficavam muito incomodadas, tentavam disfarçar, mas dava para perceber pelo olhar que elas queriam que ele parasse”, conta uma das mulheres que denunciaram Souza na condição de testemunha.
Segundo ela, as vítimas se sentiam intimidadas, por isso demoraram a denunciar o jornalista. “Por ser um repórter experiente, respeitado, mais velho, a gente sempre ficava com um pé atrás”, fala.

Os depoimentos das jornalistas da Record à Polícia Civil e ao departamento de Recursos Humanos da emissora indicam que Gérson de Souza abordava mulheres de 20 e poucos anos e também as com 40, morenas e loiras, quase todas jornalistas, chefes ou subordinadas. Entre as vítimas, havia até mulher grávida.

Segundo as mulheres, Souza teve um comportamento abusivo durante muitos anos, mas elas só denunciaram agora porque uma das vítimas, a que foi beijada na boca, decidiu levar o caso ao departamento de Recursos Humanos. A Record orientou as profissionais a procurarem a polícia e forneceu transporte e assistência jurídica. As duas primeiras denúncias à polícia foram feitas na quinta (23), como antecipou o Notícias da TV. Foi aberto um inquérito policial. Na sexta (24), mais dez funcionárias da Record foram à delegacia contra Souza. O número de supostas vítimas ainda é incerto. O repórter foi afastado de suas funções até 10 de junho, quando entrará oficialmente em férias. A Record só tomará uma decisão mais drástica ou revogará o afastamento quando se encerrarem as investigações policiais

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