Uma queixa foi formalizada pelo parente de uma das vítimas da Delegacia de Polícia Judiciária Militar. PM e Supervia afirmam que apuram se seus agentes estão envolvidos

Dois adolescentes denunciam que sofreram abuso de homens que se identificaram como policiais e funcionários da Supervia. Eles contam que foram humilhados e obrigados a praticar sexo oral um no outro. Os agressores gravaram a cena e colocaram na internet. O caso teria acontecido no último domingo (7).

Uma queixa foi formalizada pelo parente de uma das vítimas da Delegacia de Polícia Judiciária Militar. De acordo com os jovens, eles foram abordados no trem por dois homens que se identificaram como policiais.

Os amigos, de 17 e 18 anos, admitem que são usuários de drogas que iam comprar maconha na comunidade da Mangueira. Mas alegaram que no momento na abordagem não estavam com drogas.

Os rapazes contam ainda que foram tirados do trem com violência e que sofreram agressões, ameaças, abusos e humilhações dentro mesmo da estação Maracanã.

“Mais que humilhação, covardia. Levou a gente para trás da estação. Começou a bater na gente. Jogou spray de pimenta, bateu com a arma na nossa cara, chutou a cabeça. Mandou a gente rolar no mijo, secar o mijo”, contou um dos jovens.

Ainda segundo os relatos das vítimas, seis pessoas participaram da ação. “Dois falando que eram policiais e quatro guardinhas da Supervia”.

Um deles revelou também que, com uma arma apontada pra eles e sob ameaça constante, foram obrigados a praticar sexo oral.

“Eles obrigaram. Colocaram a arma na nossa cabeça. Se a gente não fizesse, iam matar a gente”, explicou.

Polícia apura o caso

A assessoria de imprensa da Polícia Militar disse que pelas imagens mostradas no vídeo não é possível identificar se são policiais militares e que estão sendo feitas apurações para verificar se há envolvimento de PMs ou não neste caso.

A Supervia disse que o caso vai ser apurado com rigor para verificar se há envolvimento de funcionários ou empregados terceirizados.

Delegado classifica crime como estupro

O delegado Roberto Ramos, titular da 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira), instaurou um inquérito, nesta quarta para investigar as denúncias.

De acordo com Ramos, os responsáveis pelas agressões e humilhações podem responder por tortura, divulgação de imagens pornográficas e também por estupro.

“Os dois garotos foram obrigados a manter contato sexual de maneira forçada, mediante uma arma que era apontada para eles. Armas e ameaças. Então não tinha vontade. A vontade era do agente. A ambição sexual era do próprio agente. Isso configura um crime de estupro”, explicou o delegado. 

O delegado já convocou os dois jovens e os seguranças da Supervia para prestar depoimento e vai analisar as imagens das câmeras de segurança da estação onde o abuso aconteceu.

Governador cobra investigações

Na tarde desta quarta,o governador Wilson Witzel (PSC) cobrou investigação e punição dos responsáveis.

“Não temos bandido de estimação, se é policial militar, se é civil, servidor público. Se for apurado que praticou alguma infração penal, vai ser apurado com rigor e vai ser levado à julgamento e a justiça que decide. Mas não há qualquer possibilidade de não ser investigado”

Com informações do G1/RJ

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