Apesar do clima tenso, governo brasileiro confirmou que ajuda humanitária ainda será levada para a fronteira

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, confirmou ontem, 21, que a operação humanitária de ajuda à Venezuela terá início neste sábado, 23, mesmo após Nicolás Maduro ter confirmado o fechamento da fronteira e enviado tanques de guerra para Santa Elena de Uairén, cidade fronteiriça com o Brasil.

“A situação do país vizinho está sendo monitorada. O planejamento do governo estabelece como linha limítrofe a própria fronteira”, destacou Rêgo Barros.

O governo brasileiro vai enviar alimentos e medicamentos para a fronteira com a Venezuela e a ajuda será colocada à disposição em território nacional, em Boa Vista e Pacaraima, para recolhimento por grupos ligados ao autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, em caminhões conduzidos por venezuelanos. O comboio será escoltado pela Polícia Federal, PRF e Polícia Militar até a fronteira.  A operação ocorre em cooperação com o governo dos Estados Unidos e é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores.

Nicolás Maduro enviou cinco tanques de guerra em cima de caminhões para a cidade de Santa Elena de Uairén, segundo denúncia feita por Américo de Grazia, deputado da Assembleia Nacional venezuelana pelo Estado de Bolívar. Ele integra o partido La Causa R, que faz oposição a Maduro, e afirma que o fechamento da fronteira vai agravar as condições do lado venezuelano, que depende da importação de alimentos brasileiros.

“Há muita inquietude e incerteza na região. Havia grande expectativa do povo venezuelano pela chegada da ajuda humanitária retida na fronteira”, diz o deputado.

Segundo ele, o fechamento também vai prejudicar o abastecimento das bases militares venezuelanas na região. “Na maioria dos quartéis, os soldados comem frango, verdura e arroz que vêm do Brasil. Se não houver tráfego, não haverá comida também para os quartéis.”

Nicolás Maduro enviou cinco tanques de guerra em cima de caminhões para a cidade de Santa Elena de Uairén, segundo denúncia feita por deputado (Foto: Divulgação)

Políticos estão preocupados com  fronteira e falta de energia

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), afirmou que recebeu a informação do governo federal de que a ajuda humanitária continua. “Se vai atravessar a fronteira, isso ainda não está definido. A ajuda pode ser feita do lado de cá da fronteira “, reforçou.

Denarium também admitiu que pode haver um problema no fornecimento de energia, dependendo dos próximos acontecimentos.

“Se houver um corte de energia da Venezuela, nós não temos energia suficiente para atender Roraima. Aí será obrigatório o racionamento diário”, afirmou. Segundo ele, houve uma reunião no Ministério de Minas e Energia em que se discutiu a contratação de “energia suficiente” para o caso de haver corte no fornecimento.

“Nós somos importadores de fertilizantes, de calcário da Venezuela, o que pode atrapalhar o abastecimento de calcário para a nossa próxima safra e plantio que se inicia agora em maio e junho. E Roraima é um exportador de alimentos para a Venezuela, e isso também pode comprometer o faturamento das empresas de Roraima e até o fechamento de algumas empresas. Estamos torcendo para que a Venezuela e o Brasil encontrem um caminho harmônico”, disse o governador na saída do Supremo Tribunal Federal (STF), onde participou de audiência com o ministro Marco Aurélio Mello.

Roraima é o único Estado brasileiro não interligado ao sistema nacional de energia, sendo dependente da Venezuela nesse ponto. Outra parte da eletricidade local vem de termelétricas.

O líder da bancada federal, deputado Hiran Gonçalves (PP), afirmou que existe uma preocupação muito grande.

“Essa tensão que nós nunca vivemos no nosso Estado, em relação a um país que sempre foi um país irmão. Em relação à nossa energia, nunca corremos perigo tão grande de termos um problema de fornecimento. As medidas que o presidente Maduro tem tomado beiram a insanidade, se negando a reconhecer que a Venezuela vive uma crise humanitária”, afirmou.

Ontem, 21, houve desligamento da interligação de energia entre o Brasil e a Venezuela de acordo com a Roraima Energia. A solicitação foi feita pela empresa venezuelana Corpoelec, para manutenção da linha de transmissão no trecho venezuelano. Neste período, todo o Estado foi atendido pelo parque termelétrico de Roraima.

Em Pacaraima, foram registrados desligamentos automáticos durante todo o dia.

O senador Telmário Mota (Pros) disse que o clima é de “muita tensão” após Nicolás Maduro anunciar o fechamento das fronteiras com o Brasil.

“Todo mundo assustado. Mas o problema maior é se o Maduro endurecer mais o jogo e cortar nossa energia. Aí isso poderia colocar em risco de vez a estabilidade de Roraima”, avaliou.

As informações são do jornal Folha de Boa Vista

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