Vai de carro ao Peru? Não deixe de passar em Puno e conhecer Garden Of San Blas em Cusco

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Um breve roteiro atualizado de uma das viagens mais incríveis que você pode fazer na América Latina

*Transparência – Nenhuma das empresas citadas nesta reportagem ofereceu qualquer tipo de vantagem ou pagou algo. Todas as opiniões foram emitidas com base em hospedagens reais

Por Alan Alex – Quem acompanha PAINEL POLÍTICO há tempos deve ter lido a primeira reportagem que fizemos em 2011 sobre a viagem de carro de Porto Velho (RO) a Cusco (Peru). Se você não leu, CLIQUE AQUI para conferir.

Desde então muita coisa mudou no roteiro, a começar pelas condições das estradas. Caso você esteja pensando em desembarcar em Porto Velho e seguir viagem, tenha em mente algumas questões importantes. Entre os meses de novembro a março chove muito na região, incluindo o Peru, o que causa deslizamentos na estrada impossibilitando totalmente a passagem. Por isso é muito importante se informar sobre as condições antes de embarcar nesta aventura.

A estrada entre Porto Velho e Brasiléia (primeiros 700km) está em péssimas condições, com buracos na pista, e a ponte de Abunã ainda não está concluída, portanto a viagem pode ter um acréscimo de pouco mais de 1 hora em função da balsa.

Embarcação feita de Totora no lago Titicaca (foto Alan Alex)

Outro detalhe importante, tenha sempre dinheiro à mão. Faça um cálculo aproximado de pelo menos U$ 50 por pessoa (R$ 193 em cotação de hoje, 10/03). Esse dinheiro você vai converter em Solis (moeda peruana) e vai servir para compras pequenas, como água, lanches, estacionamento e transporte).

Dito isto, vamos ao roteiro que pode ser encarado de duas formas, se você for do tipo que cansa fácil na estrada e tem um espírito aventureiro que gosta de conforto, divida o trecho da seguinte forma, saia de Porto Velho (RO) e vá para Rio Branco (AC). Isso permite, por exemplo, que você não precise sair da capital de Rondônia às 5 da manhã, tendo tempo para tomar um bom café da manhã (recomendo o hotel Nativo, na rua Marechal Deodoro, 2711) e sair com calma, por volta das 10 horas. A viagem deve durar entre 6 a 7 horas. Em Rio Branco, você pode se hospedar no Ibis (Estrada Dias Martins). Ambos têm preços acessíveis, bom café da manhã e excelente localização para partir.

Caso você esteja com pressa, pode pular Rio Branco, mas aí tem que sair de Porto Velho o quanto antes. O horário ideal para “tocar direto” é 4h30 da manhã, com destino a Puerto Maldonado, no Peru (1.000 km – Porto Velho/Puerto Maldonado), passando por Brasiléia/Epitaciolândia onde você vai parar para almoçar (acredite, pare e almoce).

A fronteira e a burocracia

Tanto “tocando direto” quanto parando em Rio Branco, o destino e caminhos são os mesmos, Puerto Maldonado, onde recomendo que se hospede no Cabaña Quinta, você pode fazer a reserva por aplicativos. O hotel fica ao lado da rodovia, é limpo e organizado. Mas antes, você precisa fazer sua entrada no Peru, e isso acontece em Assis Brasil (AC) e Iñapari (Peru). Ao chegar no posto da Polícia Federal no lado brasileiro, apresente seu passaporte ou identidade (são os únicos documentos aceitos para ingresso no Peru). Caso esteja com passaporte, será dado um carimbo que você precisa apresentar na imigração peruana. Se for identidade, eles lhe darão um formulário que também precisa ser apresentado às autoridades peruanas. Importante, se puder já leve uma xerox do documento de seu veículo (carro ou moto) e do passaporte. Isso vale apenas para os viajantes que estão por conta, quem contrata empresas como a Tagino Adventure não precisa se preocupar, eles resolvem a papelada.

Após passar na imigração peruana, é preciso internalizar seu veículo e logo ao lado tem a Sunat, a receita federal peruana. E essa continua sendo um verdadeiro pé no saco, com o perdão da palavra. Funcionários arrogantes, burocráticos que costumam tratar os turistas com desdém, mas nada que uma boa dose de paciência não resolva. O procedimento é simples e rápido, e quando demora é apenas por culpa deles. Apresente o documento do veículo, junto com as cópias, e as seguintes informações, o valor aproximado de seu veículo em dólar, um endereço de e-mail e as cópias. Com isso, você está autorizado a entrar no Peru. E em Puerto Maldonado você terá que fazer um seguro para terceiros, que é obrigatório e custa 36 solis (42 reais) válido por 30 dias. No hotel eles informam onde pode ser feito seguro (atendimento até às 19 horas e várias agências fazem).

A “carretera”

Como eu disse no início, entre os meses de novembro a março chove muito. Nossa viagem começou no dia 28 de fevereiro e a estrada entre Inambari e Cusco está bloqueada devido a forte deslizamento, forçando a passagem por Juliaca, o que aumenta o percurso em 250km. Caso você esteja lendo esse roteiro em abril, o caminho certamente terá sido liberado. Quando está, são 400 quilômetros e você lê os detalhes AQUI.

Ponte Inambari (foto de Alvaro Postigo Castro)

Mas, dessa vez fomos pela estrada para Juliaca e isso é definido na ponte Inambari. Caminho tradicional, atravesse a ponte e siga em frente. Por Juliaca, siga à estrada à esquerda. Em ambos os caminhos muitas curvas, subidas e um visual incrível, impossível de ser descrito e nenhuma foto consegue passar a grandeza do caminho. Se você é do tipo que enjoa, tome Dramin ou algo similar e muita água.

Chegada e hospedagem em Cusco

Cusco é uma cidade cosmopolita. Gente do mundo inteiro durante todo o ano. Pessoalmente já fiz esse percurso 12 vezes e a cada vez conheço coisas novas na cidade. Desta vez, ficamos em um novo conceito de hospedagem, que chama hotel boutique. E acredite, o Garden of San Blas supera qualquer expectativa. O hotel pertence a um espanhol, Jesus, que vive em Cusco há 4 anos, mas visita a cidade a pelo menos 30. Tem apenas 3 suítes temáticas, indiana, japonesa e inka e elas são incríveis. O hotel fica situado no bairro de San Blas onde também fica a igreja e a praça. Tenha em mente que Cusco é uma cidade com muitas ladeiras e escadas, além é claro da altitude o que deixa muita gente atordoada e cansada. Jesus tem em seu hotel uma garrafada que eu tomei e não senti nenhum efeito da altitude. O preço é um pouco salgado, R$ 35, mas compensa. O hotel de Jesus, fica no meio de uma escadaria que leva a um dos bares mais badalados de Cusco atualmente, o Limbus.

Garden Of San Blas (foto divulgação)

O Garden Of San Blas tem uma das visões mais espetaculares de Cusco. Os apartamentos Índia e Japão tem janelões de vidro, que permitem a visão do amanhecer e entardecer lindos. Sem contar o jardim, que dá o nome ao hotel onde nas manhãs ensolaradas à servido o café.

Café da manhã no jardim (foto Thamires Lima)

Os apartamentos são dotados de hidromassagem para dar aquela relaxada após um dia inteiro de caminhadas pela cidade. Caso você, assim como eu, goste de preparar um jantar, Jesus te acompanha ao mercado de Cusco que é um passeio à parte para quem curte.

Mercado de Cusco (foto Thamires Lima)

Cozinheiro por hobby, ele ainda dá uma força na hora de encarar  fogão. Os apartamentos são limpos, com sais de banho, chuveiro quente, camas confortáveis e o caso você queira ainda “um pouco mais”, opte pela suíte inka. É enorme, com três ambientes (sala, quarto e quarto de banho).

Vista da suíte do Japão (foto divulgação)

Algumas observações. O hotel é recomendado para casais, não que solteiros não possam ficar, mas não é o foco. Jesus é educado, gosta de conversar e conhece muito bem a cidade e entorno. Caso queira ir a montanha de cores, Picchu ou outras dicas, basta perguntar. Em Cusco recomendo o restaurante Le Soleil, de um francês que tem uma carta de vinhos franceses incrível. Peça um Simone (rosé) e não deixe de experimentar a costela de carneiro.

Jesus no carnaval em Cusco (foto Alan Alex)

O Cicciolina continua bom, mas já foi melhor. Visite as igrejas, a Plaza de Armas, o mosteiro e a pedra dos 12 angulos. Tire fotos incríveis e na volta, prepare-se para Puno. A seguir, dicas importantíssimas para quem vai se aventurar no lago Titicaca.

Puno e o Titicaca

Titicaca ou Titiqaqa é um lago nos Andes, na fronteira entre o Peru e a Bolívia. Em volume de água, é o maior lago da América do Sul. Fica a 3.812 metros de altitude em relação ao nível do mar e tem uma área total de 8.372 km².

Lago Titicaca (foto Alan Alex)

Apesar de ser pouca coisa mais alta que Cusco ( 3.399 metros acima do nível do mar), lá você sente como nunca os males da altitude. A viagem entre Cusco e Puno dura cerca de 7 horas. São 386,6km de curvas e subidas. A paisagem é deslumbrante e milhares de fotos podem ser tiradas. Se você sair cedinho de Cusco (levante às 5, tome um café da manhã incrível com Jesus e saia às 6h30) e chegue por volta das 13 horas em Puno. Lembre-se de levar lanches e água em seu carro/moto. Chegando em Puno vá ao porto. Mas, atenção. Antes mesmo de estacionar você vai se ver cercado de “capitães” das embarcações que vão te levar a um passeio nas ilhas flutuantes. Ignore-os. Siga direto ao porto e preste atenção. Se você estiver com tempo, compre uma passagem em uma embarcação compartilhada, custa 10 solis por pessoa (R$ 12), e mais 5 solis (R$ 5,86) para “entrar” nas ilhas. Caso tenha um dinheiro a mais, você pode contratar um barco particular. Eles costumam cobrar 150 solis (R$ 176,65), mas cai para 120 (R$ 140,52).

Os “capitães” vão tentar de tudo para conseguir mais dinheiro, portanto negocie e deixe a transação muito clara, do contrário vão surgir “despesas extras”.

Orlando é o presidente de uma das ilhas de Uros (foto Alan Alex)

A viagem é rápida e você vai desembarcar em uma das ilhotas de Uros construídas com uma vegetação chamada Totora. São várias ilhas e em cada uma tem um “presidente”. Eles vivem da venda de artesanato aos turistas. As ilhas são flutuantes e de acordo com informação de um dos habitantes, a cada semana o piso é preciso ser reforçado. Elas duram em média 20 anos e depois disso precisam ser reconstruídas do zero. As habitações são pequenas e para nós, é difícil acreditar que alguém consiga viver naquelas condições. A alimentação, segundo informou Orlando, “presidente” de uma das ilhas, é composta de peixe, raiz de totoro e patos, que eles caçam no lago. Batatas e outros produtos são comprados em Puno aos sábados.

Habitante da ilha de Uros (foto Alan Alex)

Caso você queira, pode ainda fazer um passeio pelas outras ilhas a bordo de uma embarcação também feita de totoro que vai custar 20 solis por pessoa.

Até esta altura, você vai estar cansado. Muito mesmo devido a altitude. De volta à Puno, almoce no Hotel Libertador que tem um visual incrível do lago, restaurante de primeira e descanse. Caso voce esteja com orçamento apertado, não se hospede no hotel, a diária é bem alta e gira em torno de R$ 600 (casal). A cidade oferece outras opções.

Puno é uma cidade bonita, mas sente-se muito a altitude, talvez em função do lago que exerça uma pressão atmosférica diferente. A sensação é que você está sempre carregando um peso enorme sobre as costas. Recomendo a permanência de apenas um dia, vai ser suficiente para ver tudo.

De Puno à Porto Velho vai ser preciso dormir em Brasiléia ou Rio Branco (ambas no Acre) e dia seguinte tocar para a capital de Rondônia. Caso opte por Brasiléia, é possível dar um pulo em Cobija (Bolívia) para comprar bebidas, perfumes, roupas, etc.

Esta viagem durou 9 dias. Foi feita em quatro pessoas a bordo de uma Toyota SW4 2018/19, a diesel. O combustível similar ao nosso S10 é o BS-50, lá chamado de “biodiesel”. Não use outro, seu motor não vai aguentar.

Importante. Para a estrada, leve lanches, água, frutas e doces. Tenha sempre dinheiro em espécie à mão, em moeda local. Caso tenha problemas de saúde procure seu médico antes de viajar para recomendação sobre medicamentos. Evite levar crianças, não é um roteiro para elas. Em Cusco ande sempre de taxi. Guarde seu carro em uma garagem, quase nenhum hotel oferece estacionamento. Se for para Machu Picchu, prepare o bolso, a viagem custa em média U$ 350 para um casal.

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