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Testemunha também afirma não ter ouvido nenhuma discussão, ao contrário do que foi relatado pelo delegado

O vizinho do delegado Paulo Bilynskyj, Arthur Mancio Prata que chamou a Polícia Militar e prestou socorro, disse que ouviu uma sequência de disparos e acionou a Polícia Militar antes de ser procurado por Bilynskyj, que, ferido por tiros no dedo, na perna e no abdômen, deixou o apartamento sozinho e pediu socorro.

Porém, o vizinho disse à Polícia Civil que não escutou mais disparos depois que o delegado baleado bateu em sua porta; além disso, afirmou que não ouviu vozes femininas em momento algum da suposta discussão.

A versão do vizinho difere da apresentada pelo delegado, Bilynskyj disse que Priscila teria atirado contra ele seis vezes, mas Prata relatou ter ouvido cinco disparos iniciais e, posteriormente, outros tiros intercalados por pausas. O delegado passou por cirurgia e estava estável na quarta-feira.

O B.O. revelou que o botão do elevador estava manchado com sangue, evidência que, para a polícia, confirma que Bilynskyj desceu até o hall do prédio sozinho. Foi lá que ele encontrou os policiais que o resgataram e o levaram ao hospital, onde foi tratado e sobreviveu.

O policial militar que socorreu Priscila no banheiro do apartamento —após ser avisado por Bilynskyj de que sua namorada ainda estava armada no local dos tiros— também informou ter visualizado “grande quantidade de sangue no chão e na parede, assim como um impacto de projétil na parede”.

Segundo o depoimento, Priscila foi encontrada com uma marca de tiro no peito e com vida. Ela foi levada ao hospital, mas chegou morta ao local.

O PM calculou que havia oito estojos de munição e uma pistola Glock 9mm com um carregador municiado ao lado, além de um projétil amassado no corredor que dá acesso à cozinha.

Embora Priscila tenha sido encontrada no banheiro, um dos quartos, que foi transformado em academia de ginástica por Paulo, tinha um espelho com marcas de sangue no formato de mãos.

Dois policiais militares (o cabo que foi ao encontro de Priscila e um tenente) relataram no Boletim de Ocorrência que uma faca foi encontrada próxima da moça, mas não foram encontrados sinais de sangue no objeto.

Armas

O Boletim de Ocorrência do caso que resultou na morte da modelo Priscila Delgado de Bairros, 27, revelou a presença de seis armas de fogo no apartamento do delegado Paulo Bilynskyj, 33, que foi baleado em São Bernardo do Campo (SP). Ele deixou o imóvel sozinho e pediu socorro.

No chão do corredor, em meio a poças de sangue, havia uma pistola Glock 9mm. Uma carabina Taurus CTT 40 encontrava-se sobre o sofá da sala. Outras armas de fogo foram vistas sobre a cama de um quarto do apartamento, além de grande quantidade de munições de diversos calibres.

Um fuzil, por exemplo, tinha 862 cartuchos. As armas apreendidas pela polícia e citadas no B.O. são: duas pistolas, dois fuzis, uma metralhadora e uma espingarda (esta última teve registro vencido em abril de 2019, cuja proprietária é mencionada como Helenice Vaz de Azevedo Corbucci). Dentre estas seis armas, somente uma pistola Taurus está ligada à Polícia Civil.

Modelo

Após prestar socorro ao delegado, os policiais foram ao apartamento dele. A porta da entrada de serviço foi arrombada e Priscila foi encontrada com um tiro no peito.

Ela apresentava sinais vitais, mas estava inconsciente e foi levada ao mesmo hospital, onde morreu.

Segundo a polícia, perto dela havia uma faca de cozinha e na sala do apartamento, uma carabina CTT 40 sobre um sofá. Havia sangue por todo o imóvel e em uma das paredes, marcas de tiro.

A perícia foi acionada e recolheu oito estojos de munição e uma pistola Glock 9 milímetros, que tinha um carregador municiado ao lado.

O delegado do 1.º Distrito Policial de São Bernardo do Campo também esteve no apartamento, que estava com a porta da sala aberta e havia sangue no painel de comando do elevador.

Investigação

Foi coletado material de DNA no gatilho da pistola Glock que foi encontrada em meio aos vestígios de sangue e a viatura que estava com o delegado, estacionada na frente do hospital, foi periciada.

Foram encontradas outras armas de fogo na cama de um dos quartos, junto com grande quantidade de munições, as quais também foram apreendidas, junto com os celulares e dos envolvidos para perícia.

Um delegado da Divisão Operacional da Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o registro da ocorrência e deve instaurar procedimento disciplinar para investigar o caso.

O delegado baleado gravou um vídeo quando estava no hospital, confirmando que teria sido baleado pela namorada. Não há informações sobre o estado de saúde dele.   

Última foto postada pela modelo Priscila no Instagran (Foto: Reprodução)

Delegado foi absolvido após ser acusado de forjar flagrante

Quando trabalhava em Guararapes, o delegado Paulo Bilynskyj foi afastado da função temporariamente, durante investigação após denúncia de que ele teria forjado um flagrante.

A investigação foi conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) – órgão do Ministério Público de Araçatuba. O caso aconteceu em setembro de 2013 e ele foi absolvido em janeiro de 2016, em decisão do juiz da 2ª Vara do Fórum de Guararapes, Mateus Moreira Siketo.

O delegado e quatro policiais militares foram denunciados por falsidade ideológica e por forjar flagrante de crime contra pessoa inocente.

Esses policiais teriam distorcido os fatos para livrar o delegado da responsabilidade do conserto da viatura que se acidentou durante a perseguição de um suspeito de tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

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