Vírus que espionou Whatsapp foi usado no Brasil em operação que aparece a OI; domínio de petição on-line foi vetor

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Pesquisadores encontraram em 2018 rastro digital de mecanismo vendido por empresa israelense a Governos como arma de espionagem

As jornalistas Fernanda Becker e Regiane Oliveira revelaram em reportagem ao jornal espanhol El País, que o vírus que infectou o Whatsapp em várias partes do mundo, também foi usado no Brasil. A empresa israelense NSO, que desenvolve ferramenta similar a denunciada pelo Whatsapp, e vem sendo apontada como a responsável, vende o produto apenas para governos (entre eles os estaduais).

Segundo revelou o Financial Times nesta segunda-feira, ao infectar o aparelho por meio de uma chamada de voz, o vírus é capaz de acessar informações sensíveis e executar ações, como ativar remotamente a câmera e o microfone. O Facebook, dono do WhatsApp, acusou a NSO Group, uma empresa israelense que fabrica cyber warfare (softwares de guerra cibernética), de ser a responsável pelo vírus infiltrado, chamado Pegasus. O WhatsApp não informou quantas pessoas foram afetadas no Brasil, mas já há rastros do uso do Pegasus no país entre agosto de 2016 e agosto de 2018, em plena corrida eleitoral.

Em setembro de 2018, o Citizen Lab, um renomado laboratório da Universidade de Toronto, publicou o relatório Hide and Seek, um exaustivo estudo no qual foram identificados 45 países com suspeita de infecção pelo mesmo vírus da NSO Group. Um dos países do informe é justamente o Brasil. 

À diferença de outros escândalos envolvendo dados pessoais, como o da Cambridge Analytica, que explodiu após eleições norte-americanas de 2016 e obrigou o Facebook a repensar radicalmente sua política de privacidade, programas como o Pegasus não se dedicam à coleta massiva de dados, mas são empregados para monitorar alvos específicos. Trata-se de espionagem política perpetrada pelos Governos e suas Agências, podendo ser vigilância doméstica ou internacional.

Vírus para espionagem política denunciado pelo WhatsApp foi usado no Brasil
CITIZEN LAB

Imagem, originalmente publicada no relatório do Citizen Lab, mostra o domínio utilizado para distribuir o vírus no Brasil entre 2016 e 2018 é um de petições on-line que atualmente está fora do ar.

O que se sabe é que o mesmo comprador que usou o Pegasus no Brasil também deixou rastro digital  em Bangladesh, Hong Kong, India e Paquistão. As infecções em território brasileiro foram associadas a Telemar Norte Leste S.A., que pertence a Oi e fornece serviço de telefonia e banda larga para dezenas de milhões de pessoas, especialmente no Nordeste. A Oi é a única provedora de telecomunicações brasileira que aparece no relatório. Questionada pela reportagem, a empresa informou que não há qualquer relação entre a segurança de seus serviços e suposto impacto do Pegasus para clientes da companhia. E ressaltou, ainda, que não controla nem tem responsabilidade legal sobre os conteúdos acessados e transações realizadas por seus clientes.

Vírus para espionagem política denunciado pelo WhatsApp foi usado no Brasil

A tabela, originalmente publicada no relatório do Citizen Lab, aponta as empresas de telecomunicações onde foram observados vestígios do Pegasus. A Telemar Norte Leste S.A. pertence à Oi e é a única empresa brasileira listada.

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